CRISE DE ACIONISTAS LEVA A MUDANÇAS NA DISNEY

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O comitê de acionistas da Disney anunciou na noite de quarta-feira que seu diretor-geral, Michael Eisner, não acumula mais o cargo de presidente do conselho administrativo.

Ele permanecerá na direção-geral, mas entregará a presidência do conselho ao ex-senador do Maine George Mitchell, que foi eleito por unanimidade. A Disney destaca que a direção do grupo tomou a decisão levando em conta que “muitos (acionistas) votaram por uma mudança imediata na direção e na administração”. “Acreditamos que a medida adotada hoje será, a longo prazo, a melhor para os interesses dos acionistas da companhia”, destacou o comunicado do grupo. A decisão foi tomada após 43% dos acionistas do grupo votarem contra a permanência de Eisner na presidência do conselho, durante a assembléia desta quarta-feira. O resultado era previsível diante da forte campanha contra Eisner, a quem os opositores culpam pelo fraco desempenho das empresas nos últimos anos.

Eisner conseguiu cerca de um bilhão de votos a seu favor, mas 771,7 milhões de votos foram contra sua permanência. Os outros dez executivos cujos cargos estavam em avaliação conseguiram se reeleger. Os resultados correspondem a 1,779 bilhão de ações, aproximadamente 87% do total de papéis da Disney em circulação.

Durante a reunião da assembléia, Michael Eisner tentou se defender, dizendo que o grupo “tem todas as condições necessárias para continuar crescendo”. “Nossa mensagem hoje é simples: a empresa tem todas as condições para continuar no caminho do crescimento”.

Eisner destacou que o grupo espera um crescimento anual de dois dígitos em seus lucros até 2007. A ação deve ganhar 13,7% em janeiro e fevereiro, depois de uma alta de 43% em 2003, segundo ele.

Crise - O grupo Disney foi fortemente atingido pela crise econômica de 2001-2002, após os atentados de 11 de setembro de 2001, que reduziram de forma drástica as visitas a seus parques de diversões (25% dos negócios). Entretanto, os que criticam a direção garantem que esta não soube limitar os prejuízos.

A empresa sofreu outro golpe quando os estúdios Pixar, pioneiros da animação digital (TOY STORY, MONSTROS S.A. e PROCURANDO NEMO) anunciaram em janeiro que não prolongariam sua colaboração com o grupo Walt Disney depois de 2005.

Os problemas aumentaram para Eisner depois da surpreendente oferta agressiva de compra feita pela operadora de TV a cabo Comcast, no valor de US$ 66 bilhões, a qual foi rejeitada pela empresa, mas colocou em evidência o fraco desempenho da Disney nos últimos anos.

A “revolta” dos acionistas foi incitada pela campanha “Salve a Disney”, encabeçada pelo sobrinho de Walt Disney, Roy Disney e pelo ex-diretor Stanley Gold. Ambos afirmaram que continuam com a campanha pela destituição de Eisner do poder.

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