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A história da associação de Walt
Disney com os livros de Alice de Lewis Carroll (“Alice
in Wonderland” e “Through the Looking
Glass”) data até 1923, quando Disney
ainda era um cineasta de 22 anos tentando alcançar
a fama em Kansas City. Quando sua primeira série
de desenhos, os Newman Laugh-O-Grams, não conseguiram
recuperar seus custos de produção, o
jovem produtor tentou criar outros curtas na esperança
que um deles lhe traria sucesso. O último desses
trabalhos em Kansas City se chamava “Alice’s
Wonderland”, e apresentava uma menina de verdade
(Virginia Davis) interagindo em um mundo de desenho
animado. Dirigido pelo próprio Walt, o curta
chamou a atenção da distribuidora independente
M.J. Winkler, que decidiu distribuir uma série
de “Alice Comedies” de Disney. E assim,
de 1924 à 1926, o Disney Brothers Studio (que
viria se tornar o Walt Disney Studios) produziu cerca
de cinqüenta curtas da série Alice Comedies. |
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Antes mesmo de BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
(1937), Walt Disney planejava fazer de ALICE NO PAÍS
DAS MARAVILHAS seu primeiro longa-metragem. Assim
como nos curtas da série Alice Comedies dos
anos anteriores, ele planejava usar uma combinação
de filme real e animação para as cenas
no País das Maravilhas. Em 1933, um teste em
Technicolor foi filmado com Mary Pickford no papel
de Alice. Essa primeira tentativa de Disney em produzir
um filme de Alice foi eventualmente deixada de lado
quando a Paramount lançou uma versão
live-action de “Alice nos País das Maravilhas”
estrelando Gary Cooper, Cary Grant e W.C. Fields em
1933. |
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Após a tentativa inicial na década de
30, Walt Disney não abandonou a idéia
de fazer um filme de Alice. Depois de seu enorme sucesso
com BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES, Walt Disney
registrou oficialmente o título “Alice
in Wonderland” com a MPAA (Motion Picture Association
of América) em 1938. Embora trabalho preparatório
tenha começado imediatamente para ALICE, a
devastação econômica da Segunda
Guerra Mundial, assim como as exigências das
produções de PINÓQUIO, FANTASIA
e BAMBI novamente adiaram o projeto. |
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Após a guerra, em 1945, Walt Disney propôs
uma versão animada/live-action de “Alice
no País das Maravilhas” que iria estrelar
Ginger Rogers e utilizaria as técnicas vistas
em VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? (The Three
Caballeros, 1945). Esta tentativa também foi
deixada de lado e, em 1945, foi iniciado o trabalho
em uma versão totalmente animada da história
que teria sua direção de arte altamente
baseada nas famosas ilustrações de Sir
John Tenniel. Esta versão à fase de
storyboard, mas acabou sendo rejeitada por Walt, que
imaginava em outra versão proposta de “Alice”
misturando live-action e animação e
que estrelaria Luanna Patten (a estrela Disney de
A CANÇÃO DO SUL e MEU QUERIDO CARNEIRINHO).
No final dos anos 40, o trabalho foi seguido em uma
versão totalmente animada de ALICE NO PAÍS
DAS MARAVILHAS, com maior foco em comédia,
música e espetáculo visual, ao contrário
da fidelidade rígida aos livros. Finalmente,
em 1951, Walt Disney lançou sua versão
de ALICE aos cinemas – dezoito anos após
discutir suas primeiras idéias para o filme
quase trinta anos após ter feito suas Alice
Comedies. |
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Como os personagens dos livros de Lewis Carroll eram
tão conhecidos, em parte devido às fantásticas
ilustrações do livro original por Sir
John Tenniel, o sentimento original dos artistas Disney
era que eles mal poderiam ser alterados na transição
das páginas para as telas. Mas os personagens
foi “Disneyficados” – para a alegria
de alguns e para o horror dos puristas de Carroll. |
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Uma das maiores dificuldades enfrentadas durante a
produção era a grande quantidade de
personagens que aparecem nos livros de Lewis Carroll.
Cerca de oitenta individuais, humanos e animalescos,
aparecem na fantasia das obras. Meramente os introduzindo,
um após o outro com um minuto para cada, teria
abarrotado a duração de um filme animado
tradicional. Walt então percebeu que uma boa
edição seria necessária. Algumas
das criações de Carroll, como o Gryphon
e a Mock Turtle, foram consideradas muito melancólicas.
Humpty Dumpty foi considerado muito falador. Outros
foram combinados por questões de economia em
um único personagem, como as diversas rainhas
se unindo com a Duquesa para se tornar a temível
Rainha de Copas. Ao total, o filme conseguiu a incrível
tarefa de espremer quase metade dos personagens originais
e ainda apresentando uma nova personagem: a Maçaneta,
a única personagem do filme que não
aparece em nenhum dos livros de Lewis Carroll. |
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Assim como em BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
e CINDERELA, uma versão completa do filme foi
rodada com atores de carne-e-osso foi filmada para
consulta dos animadores (apresentando a maioria dos
atores que fizeram as vozes do filme). O longa-metragem
resultante levou cinco anos para completar ao custo
estimado de $3 milhões de dólares. |
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Em um esforço para reter alguns dos versos
e poemas imaginativos de Carroll, Disney convocou
compositores e letristas de fama para compor canções
em volta deles e usá-los no filme. Durante
os anos em que o filme esteve em produção,
um número recorde de cerca de 30 canções
foi escrita para o filme, sendo que muitas acabaram
não sendo usadas. |
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ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS apresenta o maior
número de canções do que qualquer
filme Disney, mas como algumas duram apenas alguns
segundos, este fato é freqüentemente ignorado. |
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Originalmente, Alice iria cantar uma canção
diferente de “In a World of My Own”. Seria
uma balada lenta chamada “Beyond the Laughing
Sky”, e era uma canção sobre Alice
sonhando de um novo mundo, um mundo melhor que o seu,
no mesmo espírito de “Somewhere Over
the Rainbow” cantada por Dorothy Galé
em O MÁGICO DE OZ (1939). No entanto, Kathryn
Beaumont teve dificuldades em cantar a canção,
e foi decidido que começar o filme com uma
balada lenta poderia cansar a platéia. A canção
foi substituída pela mais animada “In
a World of My Own”. Ainda assim, “Beyond
the Laughing Sky” não foi colocada totalmente
na lixeira: suas letras foram reescritas e a canção
se tornou “The Second Star to the Right”
de PETER PAN. |
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Em uma cena cortada do filme Alice teria um encontro
com um monstro chamado Jabberwock (que teria a voz
de Stan Freberg), do poema de Lewis Carroll “Jabberwocky”.
A seqüência foi rejeitada por Walt, ou
porque diminuía o ritmo do filme ou por medo
de que ela fosse muito assustadora. No entanto, elementos
de “Jabberwocky” ainda continuam no filme:
a canção do Gato Risonho “Twas
Brilling” consiste da estrofe inicial; e a seqüência
em Tulgey Wood, que inclui ao menos uma das criaturas
mencionadas no poema, os Mome Raths. |
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Os peixes que assistem a Morsa enganar as Ostras para
fora da água são os mesmos peixes que
assistem Pinóquio procurar por Monstro, a baleia
em PINÓQUIO (1940). |
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Kathryn Beaumont, que é a voz de Alice no filme,
também narra a atração “Alice
in Wonderland” na Disneyland. |
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Sterling Holloway, que fez a voz do Gato Risonho,
interpretou o personagem Sapo na versão de
1933 de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. |
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O primeiro filme Disney em que os atores recebem crédito
ao lado dos personagens aos quais emprestaram suas
vozes. Isso não ocorreria novamente até
MOGLI: O MENINO LOBO (1967). ALICE NO PAÍS
DAS MARAVILHAS também o primeiro filme animado
da Disney a ter créditos finais, e seria o
único até O CALDEIRÃO MÁGICO
(1985). |
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O
filme levou cinco anos para ficar pronto, mas esteve
em desenvolvimento por cerca de dez anos antes de
entrar em produção ativa. |
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ALICE
NO PAÍS DAS MARAVILHAS foi o primeiro filme
no qual Walt pôde fazer uso da então
nova mídia da televisão para divulgar
um filme. Na véspera de Natal de 1950, foi
ao ar o primeiro programa de televisão de Walt:
“One Hour In Wonderland”. Patrocinado
pela Coca-Cola, o programa era apresentado pelo próprio
Walt e contava com a participação especial
de Edgar Bergen e seus bonecos Charlie e Mortimer
(que os fãs Disney conhecerão de COMO
É BOM SE DIVERTIR) e Kathryn Beaumont, a voz
de Alice. A última parte do programa foi dedicada
à ALICE, com a exibição da cena
da festa do Chapeleiro Louco e da Lebre Maluca. |
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Todas
as decisões criativas tomadas por Disney relacionadas
às obras originais foram recebidas com grande
crítica pelos admiradores de Lewis Carroll,
assim como por críticos britânicos de
cinema e literatura que acusaram Walt de “americanizar”
um grande trabalho literário inglês.
Walt não ficou surpreso pela reação
fria ao filme – sua versão de “Alice
no País das Maravilhas” havia sido feita
para o grande público familiar, e não
para críticos literários – mas
apesar dos muitos anos de esforços, o filme
foi um fracasso nas bilheterias (mesmo após
o grande sucesso de CINDERELA no ano anterior). |
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Anos
após o lançamento de ALICE NO PAÍS
DAS MARAVILHAS no cinema, Walt expressou seu descontentamento
com o filme, dizendo que o filme “não
tinha coração”. |
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Walt
Disney sempre foi relutante à idéia
de exibir seus filmes animados na televisão,
mas como ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS foi uma
das suas maiores decepções de bilheteria,
ele permitiu que o filme fosse exibido em seu programa
de TV semanal. ALICE foi o primeiro filme animado
da Disney a ser mostrado na televisão, aparecendo
no segundo episódio da série Disneyland,
editado para caber no tempo de 1 hora. Por anos o
filme pôde apenas ser assistido na televisão,
até que em 1974 a Disney finalmente o relançou
nos cinemas devido à demanda do público. |
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Embora
o filme tenha sido um fracasso de bilheteria quando
lançado nos cinemas em 1951, vários
anos depois ele se tornou o filme Disney mais requisitado
para cópias de locação em 16mm
para universidades e escolas. Em 1974, o estúdio
tomou nota desse fato, recolheu diversas cópias
de locação, e relançou o filme
nacionalmente nos cinemas. ALICE NO PAÍS DAS
MARAVILHAS, inicialmente negligenciado por público
e crítica, passou a ser admirado como um “filme
cabeça” por uma nova geração
por suas imagens coloridas e psicodélicas.
Hoje o filme alcançou o status de cult e é
visto com bons olhos entre os fãs de animação. |
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