Por mais de 50
anos, o Walt Disney Studios foi aclamado internacionalmente
pelos seus filmes animados desde de BRANCA DE NEVE
e PETER PAN a O REI LEÃO e ALADDIN na década
de 90, quando ressurgiu com força total. O
estúdio provavelmente nunca teria ganho sua
reputação em qualidade de entretenimento
familiar se não fossem seus personagens clássicos
Mickey, Donald e Pateta, que surgiram logo no início.
No século
21 porém, o futuro da companhia na vanguarda
da animação passou a ser questionado
com o passar do tempo. Seus filmes animados tradicionalmente
(lápis e papel) não estavam trazendo
o retorno finaceiro esperado de um filme Disney,
e a maioria dos filmes de sucesso da empresa, vinham
de sua parceria com o Pixar Animation Studios, o
qual interrompe o atual contrato com a Disney após
o próximo filme da parceria CARROS.
Neste novembro, os
céticos que expressaram dúvida sobre
o futuro da animação Disney podem
mudar de idéia uma vez que a divisão
de animação do estúdio faz
sua estréia em um filme totalmente feito
por computação baseado em um personagem
de uma fábula popular, CHICKEN LITTLE.
No mês passado,
o site de cinema ComingSoon! teve a oportunidade
de bater um papo com os cridores do projeto, O GALINHO
CHICKEN LITTLE, o diretor Mark Dindal e o produtor
Randy Fullmer. Os dois estiveram envolvidos em vários
projetos da Disney anteriormente dos quais destacam-se
o hilário A NOVA ONDA DO IMPERADOR e blockbusters
como TARZAN, O REI LEÃO e ALADDIN.
CS!: Nós
podemos tirar isso do caminho de uma vez. É
difícil saber que vocês terão
de seguir as pegadas da Pixar na liderança
dos projetos próprios da Disney em animação
por computador?
Mark Dindal:
Quando nós trabalhávamos no projeto,
só pensávamos em fazer esse filme
e fazê-lo direito. Eu acho que nem pensamos
tanto nisso. Quando temos um projeto, ele tem de
ter uma ótima história, com ótimos
personagens e é nisso que você precisa
se concentrar. E foi o que fizemos.
Randy Fullmer:
Nós estamos gostando de fazer um filme em
CG, porque nós nunca tínhamos feito
um, então foi uma oportunidade realmente
interessante para nós. Nós, e um monte
de gente no estúdio, viemos da divisão
de animação tradicional (2D), então
tudo pareceu fresco e novo. Nós estamos muito
empolgados.
Dindal:
É uma ferramenta fantástica também
para complementar o que na animação
2D é muito trabalhoso de fazer – até
um simples movimento de câmera pode somar
muito à emoção de uma cena.
Quando você tem a mudança de perspectiva,
quando você pode, tipo, aproximar ao 2D. Se
você quiser que a cena fique realmente legal,
levaria um mês para finaliza-la. Isso vem
com um software, e para mim, é uma ferramenta
fantástica para contar a história.
Fullmer:
Sim, isso realmente te dá a chance de fazer
várias coisas legais na história.
CS!: Como
surgiu esse projeto?
Dindal:
Eu tive a idéia de fazer uma fazenda que
é invadida por aliens, o tipo de idéia
sem nenhum personagem em particular, e a idéia
“desta vez o seu está caindo mesmo”
surgiu na minha cabeça. Quando cheguei em
casa, eu juntei as duas coisas e pensei que se eu
teria um frango como herói no filme, por
que não Chicken Little?
Fullmer:
É muito descolado, alguém que se encaixa
nas mais variadas situações.
Dindal:
Quando o público tem algum tipo de reconhecimento
pelo personagem ou concepção, existe
um reconhecimento do material, eu acho que isso
é sempre algo a mais.
Fullmer:
Nós descobrimos que muitas pessoas, nos EUA,
conhecem o nome Chicken little, e eles realmente
sabem, “não é aquele personagem
que pensa ter sido atingido por um pedaço
do céu, e tipo, fica doido com isso?”.
Dindal: Isso é tudo que você precisa
saber.
CS!: O último
filme que vocês produziram foi A NOVA ONDA
DO IMPERADOR. Vocês trouxeram muitos membros
do time de animação para CHICKEN LITTLE?
Dindal:
Mais ou menos metade dos animadores são tradicionais.
Fullmer:
Nós tínhamos uns 35 animadores, e
um pouco menos da metade eram tradicionais. Metade
tinha um histórico em animação
2D e metade havia trabalhado em DINOSSAURO e alguns
outros progetos em CGI. Nós tínhamos
um sistema onde os caras da computação
realmente conheciam os computadores, mas eram bem
menos experientes em atuar e fazer movimentos acreditáveis.
E os caras da animação 2D tinham tudo
isso, mas eram devagar nos computadores, então,
havia uma atmosfera aberta para todos se ajudarem
e partilharem informações. O que descobrimos
foi que no mundo do CG existe uma ética de
partilhar informações, porque se você
não o faz, fica obsoleto ao invés
de ágil. Existem sempre novas coisas para
aprender e ninguém pode manter um segredo
porque três meses depois já algo novo.
Então nós achamos um grupo muito maduro
de artistas de CG e depois nossos animadores 2D
encaixaram-se ali, aprendendo mais rápido
do que pensávamos que eles fossem aprender.
CS!: A Disney
tem uma longa tradição no ramo dos
animados 2D, os animadores veteranos estão
fazendo essa transição facilmente?
Dindal:
Eles foram muito rápidos. Nós achávamos
que o sucesso estaria em 60% nos animadores tradicionais,
que migraram pro CG, e Aiden Brian encabeçou
o programa de treinamento que ele chamou de “Acampamento
Porta-Mala”. Foi tão fantástico
que acho que chegou a 98% do sucesso. Umas 2 pessoas
não continuaram e acho que foi esclha deles.
Foi sensacional.
Fullmer:
Mais ou menos 6 meses depois que começamos,
eu perguntei aos animadores 2D, que agora são
3D, “se vocês tivessem um projeto somente
a lápis, vocês voltariam?”, e
não teve um que dissesse, “sim, eu
quero voltar”. Todos eles chegaram a conclusão
de que passaram pela dor desses 6 meses, quando
tudo pareceu diferente e um pouco desajeitado. Agora
que eles passaram por isso e realmente aprenderam,
muitas oportunidades surgiram.
CS!: Eu estava
dando uma olhada no impressionante elenco que vocês
escolheram. Tem Zach Braff, Christopher Guest…
Fullmer:
Fred Willard e Catherine O’Hara. São
ótimas vozes. Nós a favor de pegar
uma pessoa bem conhecida e ela ter uma voz incrível,
isso pode dar certo, mas não pegar uma pesoa
famosa só para colocar seu nome nas publicidades.
Nós temos vozes realmente distintas, e são
todas legais para os personagens.
CS!: Quem
Adam West vai dublar?
Dindal:
Ah é! Nós esquecemos de mencionar
Adam West no painel. Ele dublará uma versão
hollywoodiana de Chicken Little, crescido. È
tipo um filme dentro do final do filme.
Fullmer:
É tipo, quem Hollywood escalaria para o papel
principal, então, escolhemos Adam West.
CS!: Vocês
escreveram todo o roteiro primeiro, fizeram as vozes
em seguida e depois a animação?
Fullmer:
Não, você volta várias vezes.
Está sempre mudando. Você pode pegar
um roteiro que você lê em uma sala e
parece fantástico, mas quando você
o grava, é a primeira vez que você
vai ver aquilo como um filme, e coisas que funcionaram
no papel parecem não funcionar totalmente.
Você pensa, “Meu deus, Por que pensamos
que isso daria certo?”, é uma forma
completamente diferente. Depois você volta
e vai adiante e tenta salvar as melhores coisas,
o que está funcionando, e ajusta outras.
Porém, em termos de animação,
as vozes são gravadas antes para dar aos
animadores algo para pensar, e a performance de
atuação.
CS!: Apareceram
vários comentários na industria sobre
o filme ter sido adiado para novembro, a qual é
realmente uma ótima data para esse tipo de
filme. Vocês acham que o adiamento mostra
um voto de confiança da Disney?
Dindal:
Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para
nós.
Fullmer:
Isso nos permitiu fazer algumas coisas a mais. Nos
permitiu uma campanha, e acho que não tínhamos
de estrear no meio do verão. Nós estrearíamos
em 4 de julho, contra GUERRA DOS MUNDOS. E veio
tudo a calhar para lançarmos o filme em 4
de novembro. È uma época perfeita.
Dindal:
E a época das comemorações
de fim de ano atrai as famílias para o cinema.
CS!: Vocês
dois trabalharam para a Disney durante 20 anos.
Como vocês vêem a evolução
da companhia, como ela mudou e como seu humor mudou?
Dindal:
Bem, definitivamente o humor é para
o público de hoje em dia, em oposição
ao tipo de entretenimento que sairia no estilo dos
anos 40.
Fullmer:
Todos os cineastas tem a mesma idade que nós
ou são um pouco mais jovens e eles estão
para o publico atual. Isso é algo que até
Joe Grant nos falou, que você tem que fazer
o filme para seu tempo, não faça um
filme nostálgico que tem a ver com o seu
tempo, quando ele teria nossa idade. Você
tem que faze-lo relevante para o hoje. Então
nós vimos que a evolução e
as pessoas entraram nessa idéia e realmente
caminham com ela.
CS!: Eles
estão mais abertos para o humor subversivo
que vemos nos filmes animados da DreamWorks?
Dindal: Ah
sim, absolutamente.
Fullmer:
Porém, eu acho que a principal coisa é
criar personagens relacionados em situações
relacionadas. Nós descobrimos através
do tempo, que não é da piada que as
pessoas riem, elas riem da situação
familiar, que eles podem se colocar no lugar, tipo
“eu sei como é isso”. Seja a
última apertada no tubo de pasta de dente
ou o que seja a piada, é um sentimento comum.
Em A NOVA ONDA nós tínhamos uma garotinha
que balançava o dente e dizia, “olha
eu tenho um dente mole” e isso provocou nossa
maior gargalhada em todo o filme. Não era
nem uma piada, era só uma situação
que qualquer um poderia se identificar.
CS!: Quando
A NOVA ONDA DO IMPERADOR saiu, não foi considerado
um sucesso por não ter se saído tão
bem quanto TARZAN ou O REI LEÃO. Vocês
estão entrando neste projeto com menos expectativa?
Dindal:
Eu só tento colocar toda a energia nele para
faze-lo o melhor possível, e foi o que realmente
fizemos. Você o lança e ele está
totalmente fora do seu controle naquele momento.
Certamente, você sempre amaria isso. Mas eu
realmente me sinto grato ao grupo que trabalhou
no filme e como sobrevivemos aos altos e baixos
nesses 5 anos que estivemos fazendo o filme, todos
os desafios e coisas do tipo.
Fullmer:
Ao fazermos o filme, quando Mark e eu começamos,
nós éramos definitivamente caras do
cenário 2D. Nós tínhamos muito
a aprender, e se tem uma coisa que estamos realmente
orgulhosos, é de termos sido inteligentes
o bastante para colocar pessoas brilhantes a nossa
volta e ficar fora do caminho deles. Dar uma direção
a eles, mas deixa-los fazer seu trabalho. E a piscina
de talentos na Disney é incrível.
Vários artistas de CG envolvidos com o estúdio
estavam um pouco desencorajados, e alguns deles
estavam prontos para deixar o estúdio, porque
acharam estar no lugar errado. Eles pesavam tipo
“Será que a Disney vai fazer um longa
totalmente animado por computador algum dia?”
por causa da tradição que era o lápis
e papel. Eu acho que nós curtimos essa historia
e era a hora certa. De repente nós surgimos
com um filme em CG, e beneficiamos esses artistas
o que trouxe uma energia contagiante e entusiasmo
para as pessoas que queriam mostrar o que elas podiam
fazer.
CS!: Vocês
acham que a animação tradicional está
realmente morta agora?
Dindal:
Eu não sei. No momento não há
nenhum filme animado sendo produzido no estúdio
que seja 2D. Há certamente um interesse artístico,
mas para mim, uma vez que você entra no CG,
é muito sedutor, porque existe uma variedade
de coisas que você pode fazer que realmente
te empurram para a realidade. É difícil
retornar. Filmes ainda são feitos em preto
e branco ainda, mas a maioria deles são coloridos.
Fullmer:
Eu realmente adoro essa ferramenta, mas isso não
significa que não teria tempo para uma animação
tradicional que seria espetacular, então
eu ainda não opinaria. Alguns dos animadores
que foram resistentes ao CG, porque eles queriam
desenhar pensaram “Eu só vou trabalhar
com um mouse e um teclado. Não vou desenhar
mais”. Na verdade isso não aconteceu,
porque eles (animadores 3D) fazem esboços
o tempo todo. É uma linguagem tão
rápida entre diretor e animador para ser
claro em um conceito visual; eles montam suas cenas
porque é uma maneira muito mais rápida
de fazer isso. Então eu acho que a maioria
dos animadores diriam a você que eles desenham
muitas imagens enquanto estão em um processo
de criação, mas depois eles transferem
isso. Alguns deles desenham na mesa Wacom bem em
cima da tela. Eles fazem seus esboços, e
depois eles colocam no modelo e começam a
escolher suas poses. O processo de criação
dos animadores 2D foi exatamente o mesmo para muitos
deles.