"Histórias
sempre emocionantes com personagens intrigantes são
os elementos básicos de todos os nossos filmes",
comenta Sharon Morrill, vice-presidente executiva
da Walt Disney Television Animation. "Nós
avaliamos o filme original, analisamos a situação
emocional de seus personagens ao final do primeiro
filme, e determinamos as lições de vida
e o percurso emocional adicional que seriam adequados
para cada um deles. Daí em diante, a história
se desenvolve naturalmente."
Apesar
do compromisso dos produtores com uma total fidelidade
ao CINDERELA original, o primeiro filme foi feito
numa época completamente diferente dos tempos
atuais. Por este motivo, os cineastas decidiram atualizar
algumas características da adorada princesa,
a fim de aproximá-la um pouco mais do público
atual. Cinderela passou por mudanças sutis
em sua atitude e filosofia, e até seu linguajar
foi modernizado, incluindo expressões mais
atuais.
"No
original, Cinderela só tem qualidades. Mas,
pouca coisa acontece a ela; tudo acontece ao redor
dela", explica a produtora Mary Thorne. "Para
trazer aquela jovem doce e generosa para dentro do
conceito das histórias atuais, ela precisava
ser uma personagem mais ativa e menos passiva. Precisava
assumir mais iniciativas e dizer o que realmente pensa.
Ela continua sendo a mesma personagem popular e maravilhosa,
mas adquiriu uma sensibilidade um pouco mais moderna."
Os
produtores deram-se ao trabalho de casar as vozes
dos personagens desta seqüência às
personalidades e características vocais dos
personagens originais. Para isso, pediram aos atores
que assistissem ao primeiro filme e tentassem imitar
a dublagem original, repetindo as falas até
pegarem sua entonação e sintaxe. O processo
de "descoberta" das personagens foi longo
e extenuante para o elenco.
Jennifer
Hale deu vida à Cinderela e ajudou os produtores
a modernizarem e atualizarem essa heroína popular.
Segundo Thorne, "Jennifer precisava ser fiel
à qualidade vocal da Cinderela original, ao
mesmo tempo que devia nos ajudar a criar uma nova
Cinderela - uma Cinderela com uma participação
mais ativa nessas histórias. Jennifer foi uma
parte fundamental do processo criativo, não
só por seu desempenho vocal, mas também
por sua influência sobre a própria animação
final."
John
Kafka dirigiu esta continuação romântica,
comovente e divertida da história de Cinderela.
Seu currículo inclui produções
de sucesso junto à crítica e ao público,
como The Chipmunks TV Special e Mickey Mouse's 60th
Birthday.
Kafka
deu atenção especial às mínimas
nuances dos desempenhos dos dubladores, especialmente
quando um mesmo ator representava mais de um personagem.
Rob Paulsen, por exemplo, dubla tanto Sir Hugh (a
versão humana de Jaque) quanto o grão-duque.
Havia cenas em que os dois personagens de Paulsen
teriam de contracenar. Kafka gravou as duas dublagens,
intencionalmente, em épocas diferentes, só
para garantir que seus desempenhos fossem complementares.
"É
com a atuação do dublador que a animação
começa", comenta Kafka. "Ela serve
de inspiração para os artistas."
Na
continuação de um clássico da
animação, é importante não
só que os personagens se expressem de modo
semelhante, mas também que o novo filme tenha
um parentesco visual claro com o original. Por isso,
os desenhos dos personagens e as cores - os padrões
de animação do filme - de CINDERELA
II - OS SONHOS SE REALIZAM (CINDERELLA II: DREAMS
COME TRUE) são os mesmos do CINDERELA original.
Algumas
das principais diferenças entre o original
e sua continuação podem ser encontradas
na palheta de cores que dá ambientação
à narrativa e em alguns locais que se prestavam
a imagens mais coloridas.
"O
CINDERELA original se passava, sobretudo, na casa
de seu pai, um universo que se tornara muito sombrio,
uma verdadeira prisão para ela - uma idéia
passada nos desenhos dos cenários do filme",
comenta Kafka. "Nossa história agora se
passa num ambiente onde Cinderela está muito
mais feliz - literal e emocionalmente - e, portanto,
o esquema de cores e o próprio enredo são
mais claros e vivos."
Sua
mudança para o castelo real ofereceu oportunidades
e obstáculos maravilhosos para os cineastas.
Uma vez que o filme original mostrava, basicamente,
apenas a fachada externa do castelo e um plano da
entrada do salão de baile, os cineastas divertiram-se
muito criando vários aposentos das dependências
internas do palácio real.
"Nosso
castelo precisou ser um pouco mais realista, porque
é onde Cinderela vive atualmente", conta
Kafka. "Ele precisava ser um pouco menos fantástico
e bem mais funcional, e foi o que fizemos. Mas, obviamente,
ele ainda se parece muito com o castelo original -
algumas tomadas são absolutamente idênticas,
como, por exemplo, as da escadaria e do salão
de baile."
Muitos
filmes de animação Disney trazem temas
e valores morais fortes e CINDERELA II - OS SONHOS
SE REALIZAM (CINDERELLA II: DREAMS COME TRUE) não
é exceção à regra. "A
moral deste filme é o valor de sermos autênticos",
conta Morrill. "Cinderela descobre que precisa
manter-se fiel aos seus princípios e instintos,
mesmo tentando administrar o castelo e planejar banquetes
reais; Jaque aprende que não precisa virar
um ser humano para se sentir melhor consigo mesmo;
e Anastásia percebe que pode encontrar seu
grande amor, mantendo-se fiel a quem ela é."
John
Kafka resume a atitude geral dos realizadores. "Estávamos
fazendo a continuação de um clássico
adorado, com uma história respeitada - e precisávamos
respeitar esses parâmetros. Acho que honramos
o original, ao mesmo tempo que o levamos um passo
adiante. Criamos um novo capítulo na história
de Cinderela. Acredito que nosso filme seja um sucessor
à altura do original."