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Sessenta
anos depois, uma das maiores obras do estúdio
ganha sua seqüência, como Walt Disney havia
originalmente imaginado.
Para alguns, FANTASIA 2000 foi uma decepção,
comparando ao filme que o originou. Eu não
o vejo assim. Verdade, a seqüência não
conseguira superar o de 1940, mas eu acredito que
podemos coloca-los no mesmo patamar.
Felizmente, o público pareceu aprovar a nova
versão- ao menos parte dele. FANTASIA 2000
foi o primeiro animado da Disney a ser exibido nas
gigantescas telas IMAX, e lucrou mais de $60 milhões-
um recorde para um filme IMAX. Infelizmente obteve
uma raquítica bilheteria nos cinemas tradicionais
ao redor do mundo.
Apesar
de FANTASIA 2000 não ter a mesma liberdade
que teve FANTASIA, eu ainda acho que o novo proporciona
mais entretenimento que o outro. O novo animado
tem apenas 74 minutos, o que significa que ele acaba
deixando o espectador com o sentimento que tudo
passou extremamente rápido.
FANTASIA
2000 traz 7 novos segmentos e a volta de “O
Aprendiz de Feiticeiro” do FANTASIA original,
agora restaurado.
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O
primeiro segmento é a "5a Sinfonia"
de Bethoven. O público certamente irá
identificar rapidamente a música, que é
acompanhada de formas triangulares que voam sobre
belíssimos cenários pintados em pastel. |
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O
próximo segmento é o menos imaginativo
de todos, mas ainda pode ser considerado um dos mais
belos. É "Pinheiros de Roma", composição
de Ottorino Respighi. Os animadores desconsideraram
totalmente o título e criaram baleias voadoras
feitas no computador. O desenho não tem uma
história definida, mas é bastante agradável
aos olhos e ouvidos. |
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O
segmento mais criativo está por vir: "Rapsódia
em Azul", com a música de George Gershwin.
Vemos aqui um desenho feito claramente para os adultos,
onde acompanhamos os conflitos pessoais de quatro
personagens nova-iorquinos. Destaque para a inspiração
visual do artista Al Hirschfeld, cuja foi incorporada
na animação. Uma curiosidade é
que "Rapsódia" foi produzido para
ser um curta independente de FANTASIA 2000, mas Roy
Disney gostou tanto do desenho que resolveu incorporá-lo
ao longa-metragem. Isto pode ser percebido, já
que este segmento tem uma duração maior
que os demais.
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| Baseado
na obra de Hans Cristian Andersen, "O Soldadinho
de Chumbo" é apresentado ao som da composição
"Piano Concerto No. 2, Alegro, Opus 102"
de Dimitri Shostakovich. Assim como em "Pinheiros
de Roma", enquanto os personagens foram criados
digitalmente, os cenários foram feitos tradicionalmente.
Felizmente, ambos os elementos casam perfeitamente,
apesar de que é possível notar a idade
do segmento pelas técnicas de animação-
foi produzido em meados de 92, quando a animação
digital ainda estava em sua fase inicial. Assim como
em "A Pequena Sereia", o final mais trágico
da obra de Andersen foi transformada em um final feliz
que segue a linha tradicional da Disney. |
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Eric
Goldberg, diretor da "Rapsódia" foi
responsável por outro dos melhores segmentos
da fita, "O Carnaval dos Animais" de Camille
Saint-Saëns. O que aconteceria se você
desse um yo-yo à um bando de flamingos? A resposta
é mostrada nesse colorido segmento, e infelizmente,
o mais curto. Com certeza vai arrancar boas gargalhadas
dos espectadores. |
O
APRENDIZ DE FEITICEIRO | POMPA E CIRCUNSTÂNCIA |
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Seguindo
encontramos dois seguimentos estrelados por dois
personagens clássicos da Disney: Mickey Mouse
e Pato Donald. "O Aprendiz de Feiticeiro"
do compositor Paul Dukas vem do FANTASIA original,
e o inédito "Pompa e Circunstância"
(música de Edward Elgar) mostra Donald como
o atrapalhado ajudante de Noé.
É
impossível imaginar FANTASIA sem "O
Aprendiz", mas, assim como "Pompa",
pode-se sentir certa jogada de marketing por trás
de ambos os segmentos. Afinal, ter dois dos personagens
mais famosos do estúdio ajuda bastante a
promover o filme, certo? Tudo bem, pois quem ganha
é o espectador, pois ambos os segmentos são
impecáveis em todos os aspectos.
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Para
fechar FANTASIA 2000 com chave do ouro, a belíssima
composição de Igor Stravinsk, "O
Pássaro de Fogo" ganha vida em um desenho
tão poderoso quanto a música que o originou.
Os irmãos Gaëtan Brizzi e Paul Brizzi
foram encarregados da direção do segmento
e, palmas para eles, pois fizeram um pequeno grande
filme, poderoso e ousado em todos os sentidos. |
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Disney
não pecou em qualidade neste novo filme. Talvez
os seus únicos baixos sejam os intervalos entre
os segmentos, onde astros de Hollywood fazem brincadeiras
sem graça em frente à um cenário
digital (belamente construído, na verdade).
O que importa é que FANTASIA 2000 diverte até
aqueles que não são grandes fãs
do filme original. Faz você se sentar em frente
a uma tela por 75 minutos e sentir que apenas meia
hora se passou. Walt deve estar olhando orgulhoso,
lá do Disney's Heaven. |
Por
Matheus Mocelin Carvalho |
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