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A história de A DAMA E O VAGABUNDO data aos
anos de 1930 nos estúdios, ou, mais corretamente,
a história de Lady data tanto tempo. Pois quando
a charmosa cocker spaniel apareceu pela primeira vez
nos storyboards da Disney, ela não tinha seu
Vagabundo. Tramas foram criadas e romances com cães
da vizinhança foram criados. Mas nenhuma das
histórias provava ser forte o bastante. Então
Walt encontrou um conto por Ward Greene sobre um cão
livre e sem preocupações chamado Whistling
Dan. Walt pediu a Greene para preparar uma história
que trouxesse Dan (mais tarde chamado de Vagabundo)
e Lady juntos. O tratamento de Greene e outras idéias
de história desenvolvidas pelos anos 40 foram
unidas em uma forma coesa nos anos 50. |
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Apesar de ser baseado em parte em uma história
chamada “Happy, The Whistling Dog”, A
DAMA E O VAGABUNDO é considerado o primeiro
longa-metragem animado original do estúdio.
Uma das grandes vantagens encontradas por Walt Disney
e seus artistas é que eles estavam livres para
desenvolver a história do modo que eles achavam
apropriado, alterando, eliminando e até melhorando
o material original, o que não é o caso
quando se está trabalhando em clássicos
literários familiares para o público
como CINDERELA ou ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. |
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Há evidência nas extensas notas nas reuniões
de história durante 1952 que A DAMA E O VAGABUNDO
capturou o interesse de Walt Disney de um modo que
seus dois últimos filmes, ALICE NO PAÍS
DAS MARAVILHAS (1951) e PETER PAN (1953) não
tinham. Com seu elenco animal, o filme evoluiu como
uma espécie de BAMBI domesticado, com os animais
da floresta do filme anterior dando lugar aos igualmente
gentis animais de estimação. |
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Em versões iniciais do roteiro, Vagabundo teve
diversos nomes diferentes: Homer, Rags e Bozo. |
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Um script de 1940 introduzia os Gatos Siameses. Após
algum tempo nomeados Si e Am, na época eles eram
conhecidos como Nip e Tuck. |
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O visual do Vagabundo foi inspirado em uma cadela
vira-latas que os artistas da Disney salvaram da carrocinha. |
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Em esboços iniciais da história, o rato
que entra no quarto do bebê na parte final do
filme seria um personagem com traços cômicos.
Mas para melhor representar a ameaça que ele
representava para o bebê e a integridade que
seria necessária para sua luta com Vagabundo,
foi decidido que seria melhor retrata-lo como um rato
“de verdade”. |
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Uma “seqüência de fantasia”
em que os cães são os mestres e os humanos
são animais de estimação foi
cortada do filme final. |
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O filme é contado totalmente do ponto de vista
de um cachorro. Por essa razão os rostos dos
humanos são raramente mostrados e na maioria
das vezes tudo o que vemos são os seus pés.
Além disso, os donos de Lady são tratados
pelo chamamento de Querido e Querida. |
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Segundo diz a lenda, a cena de abertura do filme,
em que Jim Querido presenteia Lady embrulhada numa
caixa de chapéu para sua mulher, foi inspirada
num acontecimento real na vida de Walt Disney. Após
esquecer de um jantar com sua esposa, ele a surpreendeu
com um filhote numa caixa de chapéu e foi imediatamente
perdoado. |
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No clímax do filme, Joca e Caco (Jock e Trusty)
tombam a carrocinha que está levando Vagabundo
para o canil. Como conseqüência, Caco acaba
ficando preso sob a carroça e é mostrado
deitado inconsciente ao lado de seu amigo em prantos.
Joca está muito triste porque Caco supostamente
deveria morrer nessa cena. Quando Walt Disney viu
a cena ele ficou chocado. Não querendo repetir
a cena traumática de BAMBI (1942), Walt pediu
para seus animadores colocarem Caco na cena de Natal
ao final para assegurar à platéia que
ele havia apenas desmaiado na cena anterior. |
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A cena da batalha de Vagabundo e o rato e os acontecimentos
que sucedem foram em parte inspirados por uma famosa
história que Walt contou numa das reuniões
de história, em que um pioneiro, ao voltar
para sua cabana, descobre que seu cão havia
revirado todo o lugar. Ele chicoteou o animal para
assegurar-se de que ele havia aprendido sua lição.
Enquanto arrumava suas roupas, ele descobre o corpo
de uma cobra recém morta. O fiel cachorro tinha
arriscado sua própria vida para proteger a
de seu mestre. |
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Através da produção de A DAMA
E O VAGABUNDO, cada vez mais os animadores sentiam
o peso da responsabilidade sob suas costas. Decisões
que em filmes anteriores teriam sido tomadas durante
o processo de escrita da história agora eram
deixadas para os animadores. Frank Thomas lembra-se
que ele e Milt Kahl receberam cenas importantes para
animar que não haviam sido desenvolvidas durante
o trabalho de história: “Era se como
eles dissessem, ‘Bem, vamos dar essas duas cenas
para Milt ou Frank – eles pensarão no
que fazer com elas.’ Então houve muitos
casos em que tivemos pouco suporte do diretor ou artistas
de história.” |
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Durante a produção do filme cada animador
era escalado para um específico personagem,
mas ainda assim diversos animadores dividiam os personagens
principais, enquanto os coadjuvantes eram beneficiados
por receberem a atenção de um único
animador, certas vezes sendo correspondentemente mais
realistas. Nas cenas no restaurante italiano em que
Frank Thomas animou os cães, John Lounsberry
animou os dois italianos que os alimentam e cantam
uma serenada. |
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Frank Thomas ficou encarregado de animar a antológica
cena em que Lady e Vagabundo jantam um prato de espaguete
no restaurante italiano. Walt Disney estava apreensivo
em relação à seqüência,
pois ela achava que ela seria nojenta. Frank Thomas
planejou a cena como sendo o ápice do romance,
inserindo personalidades humanas nos cães,
e não os tratando como animais. Como resultado,
a seqüência tornou-se conhecida como uma
das mais românticas do cinema.
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O animador da tensa batalha entre Vagabundo
e o rato, Wolfgan “Woolie” Reitherman
(na época famoso por animar cenas de ação),
afim de melhor capturar os movimentos de um rato de
verdade na seqüência, encheu uma caixa
de madeira com uma dúzia de ratos e a deixou
perto de sua mesa, onde podia observa-los. Por dias
antes de começar a animar a cena, Wollie mantinha
um olho em seus novos companheiros de quarto, na maioria
das vezes enquanto trabalhava em outra cena. Depois
de algum tempo o cheiro dos animais tornou-se tão
desagradável que poucos se atreviam a entrar
em sua sala. |
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Eric Larson supervisou a animação da
cadela Peg durante o número musical no canil
“He’s a Tramp”. Ele disse que baseou
Peg parte em Mae West e consideravelmente em Peggy
Lee, que interpretou a canção e a voz
da personagem. |
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Para evocar um sentimento de nostalgia, como um antigo
cartão postal, os artistas fizeram uso de cores
luminosas e ensolaradas e extremidades suavizadas. |
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Como nem todos os cinemas da época podiam reproduzir
o sistema CinemaScope, uma versão do filme
no formato de tela padrão também foi
produzida. |
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A DAMA E O VAGABUNDO foi o primeiro longa-metragem
de animação produzido no então
inovador sistema de tela larga Widescreen CinemaScope
com relação de aspecto de 2.55:1, enquanto
os animados produzidos até então foram
feitos no tradicional aspecto de 1.33:1. O emprego
da nova técnica de fotografia não afetou
apenas aos bolsos de Walt Disney, mas também
aos artistas, que tiveram que aprender a como trabalhar
com um campo de visão ampliado. Segundo o animador
Ward Kimball “Os artistas de layout, cujo trabalho
é semelhante ao de designers de cenários,
tiveram que re-esquematizar a representação
de toda a atuação para servir aos cenários
duas vezes maiores aos que haviam sido usados até
então. No processo eles logo fizeram uma descoberta:
em CinemaScope, os personagens animados se movem,
não os cenários. Por haver mais espaço,
os personagens podem se locomover sem sair do ângulo
visual. Menos cenas separadas e menos cortes são
necessários, já que a ação
acontece em um movimento contínuo através
de uma extensa paisagem, onde anteriormente números
cortes tinham que ser aplicados.” |
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A compositora e cantora Peggy Lee foi uma das maiores
contribuintes para a produção de A DAMA
E O VAGABUNDO. Além de compor as canções
juntamente a Sonny Burke, Lee também foi a
voz das personagens Querida e Peggy e dos gatos siameses
Si e Am. |
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Walt Disney utilizou seu então recente programa
televisivo “Disneyland” para divulgar
o filme. Metade de um episódio chamado “A
Story of Dogs” foi totalmente dedicada a DAMA
E O VAGABUNDO. Em “Cavalcade of Songs”
os compositores Peggy Lee e Sonny Burke demonstraram
como eles gravaram a “Siamese Cat Song”
(Canção dos Gatos Siameses) em que Lee
faz dueto consigo mesma como Si e Am. |
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Na época em que A DAMA E O VAGABUNDO estava
sendo animado em 1953 e 1954, Walt Disney tinha muito
mais distrações do que a realização
de seus filmes de animação. Além
da produção de diversos filmes com atores
reais, incluindo a super produção 20000
LÉGUAS SUBMARINAS (1954), Disney já
havia feito seu primeiro programa televisivo, “One
Hour In Wonderland”, em 1950, para promover
o lançamento de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS,
e seus primeiros comerciais de TV animados em 1952,
para a Mohawk Carpet Company. Por volta de 1953, ele
estava se preparando para uma série televisiva
semanal. Walt Disney Productions tinha feito um acordo
com o canal de televisão ABC em março
de 1954 para uma série que começaria
naquele outono em troca de ajuda financeira para a
construção de um parque temático
chamado Disneyland. |
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Banzé (Scamp), o filho de Lady e Vagabundo, viria
a se tornar bastante popular nos quadrinhos Disney,
estrelando suas próprias histórias. |
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Uma continuação produzida diretamente
para o vídeo chamada A DAMA E O VAGABUNDO II:
AS AVENTURAS DE BANZÉ foi lançada em
2001, tendo o travesso filhote de Lady e Vagabundo
como o protagonista. |
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A DAMA E O VAGABUNDO custou estimados $4 milhões
e levou cerca de três anos para produzir. Em
seu lançamento inicial foi acompanhado do primeiro
curta da série “Peoples and Places”:
“Switzerland”. |
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Apesar de algumas críticas negativas (atualmente
obsoletas), o filme foi um grande sucesso de bilheteria
quando lançado em 1955, tornando-se um dos
filmes de animação mais populares com
o público. Assim como a maioria dos filmes
Disney, A DAMA E O VAGABUNDO foi relançado
nos cinemas diversas vezes: em 1962 (onde foi exibido
em seções duplas com o filme Disney
“Quase Anjos”), 1975, 1980 e 1986. |
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Se atualizarmos os valores de acordo com a inflação,
atualmente o filme ocupa a 65a posição
na lista dos 100 filmes mais lucrativos de todos os
tempos, com o montante de $365.703.300 milhões
de dólares. |
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Peggy Lee viria a processar os estúdios Disney
anos mais tarde por o que ela chamava de uma quebra
de contrato: Lee clamava que ela havia assinado um
contrato permitindo a utilização de
sua voz e canções apenas para as exibições
cinematográficas de A DAMA E O VAGABUNDO, o
que não incluía os subseqüentes
lançamentos em vídeo (sendo que vídeo
ainda nem existia na época). Após uma
longa batalha judicial que terminou em 1991, Peggy
Lee recebeu $23,83 milhões. |
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Foi indicado ao prêmio BAFTA por Melhor Filme
de Animação (1956). |
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