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Esta
matéria foi escrita com base na versão
americana do DVD de A DAMA E O VAGABUNDO: LADY
AND THE TRAMP - 50TH ANNIVERSARY EDITION. |
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Sendo
o sétimo título da coleção
de Platina a ser lançado nos EUA, A DAMA E
O VAGABUNDO segue o mesmo padrão de apresentação
dos lançamentos da série desde A BELA
E A FERA. Os dois discos vêm armazenados em
um estojo Amaray duplo de cor preta, que por sua vez
é guardada dentro de uma luvinha cartonada
que nada mais faz do que duplica a mesma arte vista
na capa (desta vez a luva não possui a aba
que “abre como um livro” para revelar
os extras da edição).
Dentro do estojo encontramos um Guia do DVD que lista
os extras a serem encontrados e dá uma descrição
geral de alguns deles. Também encontramos o
Disney DVD Insider, uma espécie de revista
que inclui atividades, curiosidades sobre diversos
filmes e DVDs Disney e também prévias
de futuros lançamentos (incluindo a aguardada
edição dupla de A PEQUENA SEREIA). |
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Além
de ser um dos mais populares filmes já feitos,
A DAMA E O VAGABUNDO ocupa seu lugar na história
do cinema como sendo o primeiro filme de animação
produzido no então recente formato de tela
larga CinemaScope. A exemplo de 20000 LÉGUAS
SUBMARINAS e BEN-HUR, a relação de
aspecto de A DAMA E O VAGABUNDO é um pouco
mais larga do que o mais convencional 2.35:1, tendo
as dimensões de 2.55:1. Como nem todos as
salas de cinemas da época estavam equipadas
para a projeção de filmes no formato,
Walt filmou o filme duas vezes: uma no formato CinemaScope,
e outra no tradicional formato 1.33:1 (o formato
Standard, de tela “quadrada”).
Esta
edição de Platina de A DAMA E O VAGABUNDO
apresenta o filme no formato widescreen realçado
para televisores 16x9, com a relação
de aspecto 2.55:1. Também incluído
no mesmo disco é o filme no formato standard
4x3, mas, infelizmente, se trata de um trabalho
Pan-and-Scan em cima da versão wide, e não
a versão alternativa produzida no formato
da Academia em 1955. Sem dúvida, a versão
que deve ganhar a preferência do telespectador
é a versão widescreen.
Depois
de tantas explicações técnicas,
o que dizer da qualidade do filme em si? A verdade
é que não há muito que falar
além de elogios: mais uma vez a Disney fez
um trabalho de primeira com um de seus clássicos,
e ninguém é capaz de dizer que o filme
tem mais de 50 anos (apesar de ser chamada Edição
do 50o Aniversário, o filme na verdade completa
51 anos em 2006). Não há qualquer
tipo de falha de película a ser encontrada,
seja granulação, marcas ou quaisquer
imperfeições. O nível de detalhe
da imagem é impressionante, sendo possível
ver as pinceladas de tinta dos cenários em
cada fotograma e até mesmo destacando as
células de animação. Ao contrário
de A BELA E A FERA, que também incluía
diversas versões do filme no mesmo disco,
A DAMA E O VAGABUNDO não possui problemas
com compressão e artefatos digitais. Felizmente
eu não tenho um comentário negativo
sequer a esta impecável transferência.
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A
principal opção sonora no disco é
uma trilha em inglês em Dolby Digital 5.1.
Como A DAMA E O VAGABUNDO fora gravado originalmente
em estéreo, os mixadores tiveram uma liberdade
um pouco maior ao fazer a mixagem 5.1 do que tiveram
em filmes como BAMBI ou CINDERELA, produzidos originalmente
com uma trilha sonora monofônica. Nomeada
Disney Enhanced Home Theater Mix, a nova mixagem
faz um bom trabalho ao dar um pouco mais de atividade
á trilha sonora sem moderniza-la excessivamente.
A maior parte da ação ocorre nos canais
frontais, sendo que a música e os efeitos
sonoros possuem uma boa delineação
em estéreo. A maior função
dos canas surround é dar ênfase á
trilha sonora, mas também são utilizados
para dar maior força a efeitos como relâmpagos
e trovões, sendo que até apresentam
alguma interessante separação entre
os canais (a locomotiva durante a cena de apresentação
do Vagabundo é um bom exemplo). Os diálogos
estão em boa forma e são totalmente
inteligíveis não apresentando qualquer
ruído ou distorção. Mais uma
vez a Disney fez um trabalho de restauração
profissional e de bom gosto.
O
disco também inclui a trilha sonora original
de cinema mixada em Dolby Digital 3.0 e trilhas
dubladas em francês e espanhol em 5.1.
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| Nos
EUA, esta edição dupla de A DAMA E O
VAGABUNDO é o sétimo título a
ser lançado pela coleção de Platina.
Este também é o primeiro filme da coleção
que já havia sido lançado anteriormente
em DVD, já que A DAMA E O VAGABUNDO estava
entre os primeiros filmes lançados pela Disney
no formato digital. Além de não trazer
um extra sequer, a Edição Limitada apresentava
o filme em widescreen não-anamórfico,
o que já é um grande motivo para a compra
desta nova edição.
Apesar
de aqui no Brasil esta edição especial
estar sendo lançada com apenas um disco, a
edição lançada na região
1 traz um disco extra de bônus especiais. Como
o primeiro disco traz duas versões do filme,
praticamente todos os extras se encontram no disco
dois. Apesar desta ter sido uma decisão acertada,
pois não compromete a qualidade do filme, é
uma lástima a decisão da Disney de não
mais incluir trilhas de comentários em áudio
em seus filmes clássicos, costume que já
havia começado com CINDERELA.
Apesar
da falta dos comentários, esta edição
ainda tem bastante a oferecer. No primeiro disco tudo
o que encontramos é uma Prévia
do Disco 2 (1:02) e trailers
para os seguintes lançamentos Disney: A PEQUENA
SEREIA: EDIÇÃO ESPECIAL, O GALINHO CHICKEN
LITTLE, THE SHAGGY DOG, IRMÃO URSO 2, AIRBUDDIES,
A DAMA E O VAGABUNDO II: EDIÇÃO ESPECIAL,
DUMBO: EDIÇÃO ESPECIAL e um comercial
para a Walt Disney World.
No
segundo disco a primeira seção que encontramos
é Cenas Cortadas,
composta por dois componentes: “Turning
The Tables” (Virando as Mesas) é
uma imaginativa cena de sonho que mostra como seria
se os cães fossem os mestres e os humanos fossem
os animais de estimação. Já “Arrival
of the Baby” (Chegada do Bebê)
é uma versão alternativa da cena presente
no filme. Aqui vemos preparações extras
para o nascimento do bebê, acompanhamos mais
os conflitos de Lady e escutamos um verso extra da
canção “La La Lu” que não
está presente no filme.
As duas cenas são introduzidas por Eric Goldberg,
o diretor de POCAHONTAS e animador do Gênio,
que atua como uma espécie de apresentador dos
extras do DVD. Ele explica os motivos por trás
das exclusões das mesmas e fala sobre o processo
de recuperação dos storyboards e trilhas
originais nos arquivos Disney. Ao total as duas cenas
e introduções têm a duração
de 12 minutos e 52 segundos.
Sob
o domínio Música
e Mais encontramos “The
Siamese Cat Song: Finding a Voice for the Cats”
(Encontrando uma Voz para os Gatos), novamente apresentado
por Eric Goldberg. Esse interessante extra de 4 minutos
e 20 segundos nos mostra as diversas tentativas de
escolher a voz certa para os gatos siameses até
os produtores optarem pela própria Peggy Lee
em um dueto consigo mesma. Os demos vistos aqui incluem
uma dupla masculina interpretando a canção,
com variações incluindo uma versão
acelerada que faz os gatos soarem como Tico e Teco.
Um
vídeo clip de “Bella Notte”
por Steve Tyrell (2:55) encerra a seção.
Apesar de não ser particularmente bom, ao menos
não é ofensivo como os vídeos
musicais pop que a Disney já incluiu em diversos
de seus outros lançamentos.
Em
Jogos e Atividades
estão localizados os extras destinados ao público
infantil. Disney Virtual Puppy (Filhote
Virtual da Disney) é um extra em DVD-ROM, e
aqui você pode criar seu próprio filhote
virtual, alimentando-o, o colocando para dormir, etc.
É possível escolher entre cinco tipos
diferentes de cachorros, sendo que estes são
versões miniatura dos personagens do filme.
Disney
Dog Trivia é um criativo jogo de tabuleiro
virtual. Há duas opções de jogo:
jogo trivia, apenas para um jogador, e jogo de tabuleiro,
modo em que dois a quatro times podem jogar. O modo
trivia é bem simples, e consiste apenas de
uma série de perguntas referentes a cães
Disney. A segunda opção é mais
complexa, e certamente mais divertida. Tem-se um tabuleiro
e um dado virtual, e em cada espaço deve-se
responder a uma pergunta sobre os cães Disney
(estes podem ser animados, reais, machos ou fêmeas).
As questões são bem abrangentes, pois
incluem até perguntas sobre filmes live-action
como AIRBUDDIE e O MEU MELHOR COMPANHEIRO, o que pode
ser um pouco difícil para alguns. Ao contrário
da maioria dos jogos de DVDs, este é divertido
e vale a pena ser conferido.
Apesar
de não cair exatamente nem na categoria de
jogos ou atividades, aqui encontramos Disneypedia:
Going To The Dogs (9:22), um pequeno documentário
que examina as diversas raças e tipos de cachorros.
Apesar de obviamente voltado para o público
infantil, amantes dos caninos podem achar interessante.
A
exemplo de outros jogos encontrados em DVDs como A
BELA E A FERA e IRMÃO URSO, Your Inner
Bark (Seu Latido Interior) é um game
de personalidade: responda um número de perguntas
referente a si mesmo (se você fosse um animal,
isso é) e você saberá com qual
personagem do filme você mais se parece. Eu
peguei os Gatos Siameses... |
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Na
seção Nos
Bastidores da Disney encontramos
os principais extras do DVD, e certamente os que
os fãs Disney darão mais atenção.
Lady’s Pedigree: The Making Of Lady
and the Tramp (O Pedigree de Lady: O Making
Of de A Dama e o Vagabundo) é um documentário
de 52 minutos e 25 segundos dividido em sete segmentos:
“Retorno a Marceline”, “Uma Dama
Perfeita: A História de A Dama e o Vagabundo”,
“Animação Preliminar”,
“Coro Canino: A Música de A Dama e
o Vagabundo”, “Ensinando Um Cão
a Falar: As Vozes de A Dama e o Vagabundo”,
“Belo Como Um Foto: Arte e Design” e
“Epílogo: Voltando Pra Casa”.
O documentário examina praticamente todos
os aspectos da produção, até
mesmo histórias que passaram anos na obscuridade:
os anos de Walt Disney morando em Marcelline, que
mais tarde o influenciariam na produção
de A DAMA E O VAGABUNDO e na construção
da Disneylândia; as origens escritas do filme
vindas de uma história da revista Cosmopolitan
e a grande contribuição de Joe Grant
para o projeto, que graças a uma discussão
com Walt deixou o estúdio antes do início
da produção e não recebeu nem
um crédito de história; as versões
anteriores da história que não contavam
com a participação do Vagabundo; a
liberdade que os artistas tiveram por esta ser uma
história original e os temas mais ousados
abordados pelo filme; a verdade sobre o destino
de Caco no filme; a origem e a composição
das canções de Peggy Lee e Sonny Burke;
um estudo da trilha sonora; o elenco de vozes; a
animação dos personagens e o trabalho
feito pelos Nine Old Men; os estudos feitos pelos
animadores de cães de verdade; o trabalho
de design e a produção dos cenários;
os desafios encontrados por esse ser o primeiro
animado em CinemaScope e uma comparação
entre as duas versões do filme (formato widescreen
e formato standard). O documentário conta
com entrevistas de atuais artistas Disney como Ron
Clements, Andrés Deja, Eric Goldberg e Mark
Gabriel, com os filhos dos animadores Frank Thomas
e Woollie Reitherman e historiadores como John Canemaker
e John Culhane. Este é sem dúvida
um dos melhores documentários produzidos
para um DVD Disney, contando com uma informativa
exploração da produção
e interessante material antigo. Talvez o único
defeito do making of seja a falta de entrevistas
de arquivo com os animadores do filme, mas ainda
assim há depoimentos o bastante a serem encontrados.
Mesmo
não tendo uma grande relação
com o filme, Finding Lady: The Art Of Storyboards
(Encontrando Lady: A Arte de Storyboards) é
uma interessante exploração dessa
ferramenta de produção desenvolvida
nos estúdios Disney no anos 20 e 30. O documentário
de 13 minutos e 2 segundos não se concentra
apenas em A DAMA E O VAGABUNDO ou filmes Disney,
mas em filmes em gerais como SABOTADOR e OS PÁSSAROS
de Alfred Hitchcock, e conta com entrevistas de
diretores como Kevin Costner e Andrew Adamson. Apesar
de não trazer muitas informações
novas para quem é fã de cinema ou
nem mesmo para quem já assistiu os extras
em outros DVDs Disney ou não, este é
um featurette interessante que deve ser mais útil
para os mais leigos em relação ao
processo de storyboard.
O
documentário serve de introdução
para os Storyboads Originais de 1943
(11:52). Apresentado por Eric Goldberg e Burny Mattinson,
esta é uma versão do filme totalmente
em storyboards que foi descoberta recentemente nos
estúdios Disney. Os dois artistas também
apresentam a história e fazem as vozes dos
personagens. Chamada apenas de “Lady”,
esta versão conta com muitos dos personagens
e elementos que acabariam no filme final, mas conta
uma história diferente com mínima
ênfase na parte romântica (aqui Vagabundo
se chama Homer e apenas aparece em duas ou três
cenas) e maior destaque para a rivalidade entre
Lady e os Gatos Siameses. Obviamente esta versão
não teria feito um filme muito interessante,
mas é ótimo poder ver as origens da
história e de muitas das idéias usadas
no filme final.
Walt
Disney era um visionário tão grande
que ele já estava fazendo extras de DVDs
há 55 anos atrás. Em seu programa
de TV Disneyland Walt levava seus espectadores por
trás das câmeras das produções
de seus filmes, incluindo A DAMA E O VAGABUNDO.
Em Extratos dos Programas “Disneyland”
encontramos partes de dois programas exibidos em
1954 e 1955 para ajudar a promover A DAMA E O VAGABUNDO.
No primeiro, “A Story Of Dogs” (17:29),
Walt mostra os diversos estágios de produção
do filme, desde os storyboards, até a direção,
animação, cenários e gravação
das vozes. Apesar de tudo ser obviamente encenado,
aqui encontramos material muito valioso, como diversas
cenas de animação a lápis apresentadas
por animadores como Frank Thomas e Woolie Reitherman.
Também encontramos o trailer promocional
(3:02) usado para promover o programa que acabamos
de ver.
“Cavalcade
of Songs” (21:39) mostra as origens das canções
do filme, e como as mesmas foram compostas por Peggy
Lee e Sonny Burke. Também vemos o processo
eletrônico usado para fazer Lee cantar com
ela mesma durante a canção dos Gatos
Siameses e a vemos em frente ao microfone interpretando
“He’s a Tramp”. Os programas ainda
são antecedidos por uma introdução
(4:00) por Eric Goldberg que explica todo o trabalho
tido para restaurar esse material especialmente
para o DVD.
Diretamente
dos arquivos também encontramos três
trailers de cinema. Temos o trailer
original de 1955 (3:48) apresentado em widescreen
letterbox que, assim como todos os trailers da época,
é excessivamente longo e mostra mais do que
deveria; o curto trailer do re-lançamento
de 1972 (0:41) que dá ênfase ao fato
do filme ser “entretenimento familiar de qualidade”;
e o trailer do re-lançamento de 1986 (1:27),
mais contemporâneo que os anteriores.
Em
Galerias de A Dama e o Vagabundo
encontramos uma série de imagens relacionadas
com a produção do filme dividas em
diversas subseções: Desenvolvimento
Visual (105 imagens), Design dos Personagens (76
imagens), Arte do Storyboard (42 imagens), Layouts
e Cenários (41 imagens) e Fotos da Produção
(68 imagens). A minha única reclamação
é que o tamanho das imagens é demasiadamente
pequeno, quando na verdade poderiam preencher toda
a tela.
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A
DAMA E O VAGABUNDO é sem dúvida um
dos maiores clássicos da animação
e um dos filmes mais charmosos já feitos.
Seja para amantes de cães ou apenas para
aqueles que gostam de uma clássica história
romântica, o filme oferece algo para todo
mundo. Assistindo-o nessa versão restaurada
certamente é uma revelação,
e muitos terão a impressão de estar
assistindo ao filme pela primeira vez (especialmente
se essa é a primeira vez que você o
assiste em seu formato original em CinemaScope).
Além da exemplar qualidade de som e imagem,
o DVD ainda traz excelentes extras de qualidade,
cuja única falha é a ausência
de uma trilha de comentários em áudio.
Até mesmo para aqueles que já tem
a Edição Limitada em suas coleções,
esse DVD é indispensável para os fãs
do filme.
Vale
notar que, enquanto a edição da região
1 aqui comentada é uma edição
de dois discos, a edição lançada
no Brasil contém apenas um único disco,
preservando a edição CinemaScope do
filme mas descartando boa parte dos extras.
|
Por
Matheus Mocelin Carvalho |
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