O
ano de 2002 provou que a Disney estava mesmo se esforçando
para mudar seu conceito sobre desenhos animados. Além
de se arriscar em um tema adulto como ATLANTIS de
2001, o estúdio ainda lançou LILO &
STITCH no ano seguinte, uma inusitada aventura de
um perigoso foragido intergálactico que cai
na Terra e é encontrado por uma garotinha havaiana.
O talentoso estúdio da Flórida, responsável
pelo sucesso de Mulan, criou mais um belíssimo
trabalho que realmente merece o título de filme
Disney. Mais do que isso, a equipe liderada por Chris
Sanders, soube contornar as exigências do público
que a muito tempo pedia por um titulo fora dos padrões
da empresa, sem perder a nostalgia clássica
dos maiores sucessos que fizeram a história
da casa do Mickey.
Para ajudar neste processo de nostalgia, cerca de
1.200 pinturas de background da história foram
criadas por meio do uso da aquarela, método
que não era maciçamente empregado num
filme da Disney desde a época de PINÓQUIO
e DUMBO, há 60 anos. Para obter know-how suficiente
nesse campo, os animadores de LILO & STITCH decidiram
procurar Maurice Noble, o aquarelista que fez DUMBO,
BRANCA DE NEVE e BAMBI, e que morreu em 2001, aos
91 anos.
A trilha sonora assinada por Alan Silvestri também
colaborou, e ainda trouxe canções interpretadas
por ninguém menos que o rei do rock, Elvis
Presley, do qual Lilo é fã.
Mas talvez o ponto alto da produção,
seja o elogiado trabalho realizado nas características
sociais dos principais personagens, com destaque para
o complicado relacionamento entre Lilo e sua irmã
Nani. As duas perderam os pais num acidente e agora
Nani passa apuros para arrumar um emprego e não
perder a guarda de Lilo para a assistencia social.
Do outro lado da história, temos o alienigêna
Stitch, uma criatura fruto de uma experiência
genética não autorizada, que escapa
da nave-prisão do conselho intergalático
e vai parar na Terra. Stitch foi programado para destruir
tudo o que encontra pela frente.
A produção também contou com
uma das mais interessantes estratégias de marketing
já utilizadas por um filme de animação
da Disney. Além de aparecer no poster com um
dos duendes de A BRANCA DE NEVE, a fada Sininho de
PETER PAN e PINÓQUIO, os trailers do filme
ainda mostraram Stitch brincando com momentos marcantes
de ALADDIN, A PEQUENA SEREIA, A BELA E A FERA e O
REI LEÃO, todos filmes que a Disney produziu
entre 89 e 94, seu recente período mais criativo.
Produzido a um custo de 80 milhões de dólares,
LILO & STITCH estreou bem nos cinemas, com uma
abertura de 35 milhões, ficando apenas 800
mil dólares atrás de MINORITY REPORT,
estrelado por Tom Cruise e o lider do ranking americano
na época. Até o final de 2002, o filme
da Disney já havia arrecadado mais de 145 milhões
no mercado americano, um bom resultado que quase levou
a Disney a repensar sua posição quanto
à técnica de se produzir desenhos animados.