Com
o advento da tecnologia CGI, uma nova forma de se
produzir animados tomou conta do mercado e conquistou
o coração do público em geral.
Com essa geração de animados do século
21, alguns estúdios se tornaram grandes produtores
da técnica e um deles foi a DreamWorks, que
já produzia filmes animados antes, em animação
tradicional, mas que só ganhou fama depois
da era digital com um certo “ogro verde”
e conquistou um merecido segundo lugar, logo atrás
da Pixar.
Com
quatro filmes que utilizam a tecnologia digital
em seu currículo, o estúdio tem como
sua quinta aventura nesse estilo o frenético
MADAGASCAR, dos mesmos criadores da franquia SHREK,
também da DreamWorks. Em uma espécie
de fusão entre O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA,
do escritor português José Saramago,
e O NAUFRÁGO, filme estrelado por Tom Hanks,
este MADAGASCAR conta a história de quatro
habitantes do Zôo de Nova York. Marty, uma
zebra que sonha com a vida selvagem, Alex, um leão
popstar, Glória, uma hipopótama durona
mas doce e Melman, uma girafa hipocondríaca
e totalmente neurótica, são grandes
amigos e vivem em meio à mordomia proporcionada
pelos “homi” do zoológico. Marty
porém, como já foi dito, sonha em
viver na natureza e se autoafirmar como um animal
de verdade. Após uma fugidinha do zoológico,
Marty provoca uma grande confusão que envolve
seus amigos e eles acabam sendo transferidos para
um local onde possam viver mais livremente. Um acidente
de percurso, no entanto, faz com que eles aportem
na belíssima ilha de Madagascar, um lugar
totalmente natureba, o sonho de Marty e o pesadelo
do leão urbanizado, Alex.
O
filme pode não trazer a idéia mais
original de todas mas desenvolve com maestria sua
história e traz um bocado de personagens
cativantes, os quais reservam bons momentos durante
toda a projeção. Apesar disso, a produção
não é muito diferente de tudo o que
a DreamWorks fez até agora. O maior intuito
como sempre, é colocar o máximo de
referências pops, gags físicas, piadas
formadas a qualquer custo, enfim, tudo o que possa
fazer a platéia rir. Mas isso não
é bom? Você perguntaria. Sim, por um
lado. Às vezes, toda essa forçassão
de barra pode transformar o filme em um grande circo
com estruturas fracas, podendo cair sobre nossas
cabeças a qualquer momento. Mas em MADAGASCAR,
o ritmo acelerado das seqüências e a
boa estruturação do roteiro tapam
uma boa parte dessa mania do estúdio sem,
no entanto, apagar a graça do filme. Ele
continua sendo uma comédia mas não
é somente isso.
Boa
parte do sucesso da película vem de seus
personagens carismáticos e de formas geométricas
que junto aos cenários coloridíssimos,
dão ao mesmo um toque de estilo inédito
até então. Os animais do zôo
são totalmente humanizados. A produção
na verdade é uma grande prosopopéia,
o que remete às grandes fábulas trazidas
à vida pelas mãos de Walt Disney.
Os personagens têm sentimentos humanos, se
comportam como tal e até vivem como nós.
É claro que são esses animais que
dão asas às piadas presentes no filme,
as quais são em sua maioria inteligentes
e voltadas para o público mais adulto. Aliás,
só eles perceberão as referências
a grandes filmes de Hollywood e algumas gracinhas
mais picantes presentes.
Mas
o que seria da atuação desses personagens
sem as vozes de seus dubladores? Como já
é de praxe nos animados da DreamWorks, um
elenco estelar foi escalado para dar vida aos protagonistas.
O comediante Ben Stiller, encarregou-se de viver
o leão Alex. Cheio de fama e “não
me toques”, o felino ao lado da zebra Marty,
levam a história do filme nas costas. Marty,
por sua vez, ganhou a voz do engraçadíssimo
Chris Rock, o qual deu toda a “ginga”
peculiar à essa sonhadora zebra. Jada Pinkett
Smith, atriz, colocou toda sua doçura e força
na hipopótama Glória, que apesar de
não ter grandes momentos ao decorrer do filme,
quando aparece, coloca para quebrar. Por último
temos o não menos apagadinho Melman, vivido
por David Schwimmer (o inesquecível Ross
do seriado FRIENDS). Apesar disso, Melman é
o personagem mais hilário do quarteto e sua
obsessão por remédios e sessões
de ressonâncias magnéticas e coisas
do tipo reservam momentos de inesquecível
descontração, magnificamente conduzidos
por Schwimmer.
Se
na versão original tivemos um famoso para
cada integrante do grupo de protagonistas, a versão
brasileira traz somente uma comediante global para
dublar Glória. Heloísa Perissé
não só deu um toque especial à
hipopótama, como revelou todo o seu talento
para adaptar roteiros. Foi ela quem reescreveu as
falas dos personagens para que elas se encaixassem
à nossa realidade, colocando gírias
e vocabulários totalmente brasileiros (lê-se
cariocas). A adaptação ficou tão
boa que consegue até alcançar e, talvez,
ser melhor que a versão original. O auge
foi a tradução da música “I
Like To Move” para “Eu Me Remexo Muito”,
cantada no filme pelo excêntrico Rei Julian,
um lêmure (dublado por Guilherme Briggs que
mais uma vez dá show).
A
arte dos cenários de MADAGASCAR não
tem pretensão alguma de serem realistas,
muito pelo contrário, são bem cartunescas
e se encaixam perfeitamente ao clima de comicidade
do filme e às formas dos personagens. A cidade
de Nova York é reproduzida com louvor, a
cena que mostra a rua da Broadway com todas as suas
luzes é divina. A ilha, contrastando com
a cidade, traz ambientes coloridíssimos e
exóticos, o que para alguns podem parecer
até exagerados demais, para as crianças
será motivo para grudar os olhos na tela.
A
animação implementada aqui também
é soberba. É de se esperar que a cada
filme a tecnologia se desenvolva e reproduza cada
vez melhor a realidade nos filmes animados. Mas
em MADAGASCAR isso é ainda mais perceptível
uma vez que o filme não faz questão
de ser realista mas apresenta efeitos e movimentos
incríveis. Reparem na água que cerca
a ilha e os movimentos dos personagens e vocês
saberão do que estou falando.
Apesar
de bonitinho e colorido, MADAGASCAR é o melhor
filme do estúdio depois de SHREK. Isso porque
não deixa as piadas tomarem conta da história
mas ao mesmo tempo diverte e te mantém ligado
em tudo o que acontece. Se você deixar o preconceito
de lado e dar uma chance a este filme, tenho certeza
que sairá dele se “remexendo muito”
e com a maior vontade de voltar correndo e assistí-lo
outra vez. Não é um poço de
criatividade, mas uma das grandes sacadas da DreamWorks
até hoje. E que venha MADAGSCAR 2!