Embora
tenha deixado sua marca em inúmeros grandes
desempenhos na televisão e nos palcos, sobretudo
na Inglaterra, HARRIET KATE OWEN (Jane e Wendy Jovem)
sente um orgulho especial por suas origens artísticas
que, segundo ela, tiveram início aos 2 anos
de idade. “Eu me atirei no chão, à
entrada de um supermercado, e declarei que minha mãe
estava me batendo. Acho que ela disse: ‘Ai,
meu Deus, essa menina é mesmo exibida.’
E daí ela resolveu me matricular em um curso
de Teatro.”
As aulas foram plenamente recompensadas, como fica
evidente em seu desempenho duplo, tanto como Jane
quanto como Wendy Jovem, em Peter Pan – De Volta
à Terra do Nunca.”
Owen iniciou a dublagem do filme quando ainda tinha
13 anos, viajando uma hora de trem, em cada sentido,
entre o internato onde estudava e o estúdio
de gravação em Londres. Após
algumas horas de gravação, ela se dava
como recompensa com uma refeição tipicamente
americana. “Eu saía e me presenteava
com um enorme e suculento cheeseburger com batatas
fritas.”
O público, por sua vez, será presenteado
com um desempenho complexo da atriz, atualmente com
16 anos, no papel da filha de Wendy, uma menina que
amadureceu precocemente e que, por conta disso, nega
a si mesma os prazeres intrínsecos da infância,
mas que, de repente, sente reavivadas essas emoções
pueris.
“Harriet precisava ter uma atuação
de grande sutileza e seu trabalho beirou a perfeição”,
conta Morrill. “Ela encontrou um ótimo
equilíbrio entre uma menina tentando ser adulta
e uma menina que só quer ser criança,
mas tem receio disso. Foi um desempenho impressionante,
sobretudo quando lembramos que se trata de seu primeiro
trabalho de dublagem.” “Harriet esteve
perfeita no papel porque, de várias maneiras,
ela é Jane”, conta Cook. “Harriet
é uma menina muito madura, inteligente e perspicaz,
e bem pouco ingênua. Ela sempre entendia as
direções que lhe dávamos e acertou
em cheio em sua interpretação como Jane.
Ela entendeu o ponto de vista de Jane, o que foi fundamental
para o processo de criação da personagem.”
O desempenho de Owen é ainda mais impressionante,
considerando-se que, em sua estréia como dubladora,
ela passou a maior parte da produção
sendo dirigida através de uma conecção
de rede ISDN entre Los Angeles e Londres. Na maioria
de suas sessões de dublagem, Owen ficava sentada
sozinha na cabine de gravação, acompanhada
no estúdio somente por um engenheiro de som,
mantendo contato com os produtores, diretores e, freqüentemente,
com os demais membros do elenco, à longa distância,
através de seus fones de ouvido.
“Fazer o filme com Harriet foi bem estranho,
porque nunca nos vimos, mas acabamos ficando amigos
enquanto gravávamos nossas vozes ou ficávamos
só batendo papo”, conta Weaver. “Ela
sempre me perguntava sobre Los Angeles e se eu conhecia
alguma celebridade; e me contava sobre seu cavalo
e sobre sua casa, em Londres. Ela é tipicamente
britânica e adoro isso. Nós nos divertimos
muito.”
Embora admita que sua mãe é a maior
fã dos filmes dos estúdios Disney na
família, Owen diz que Peter Pan sempre foi
seu desenho animado favorito por não se tratar
de um romance de princesa de conto de fadas. E ela
apreciou ver que Peter Pan – De Volta à
Terra do Nunca traz um tema de uma natureza semelhante
à do original.
“Peter Pan é especial, uma história
clássica porque tem uma diferença em
relação aos outros filmes Disney –
não se trata de um romance nem de uma história
de amor como Branca de Neve, A Bela Adormecida, Cinderella
e A Bela e a Fera. Peter Pan é uma história
sobre a magia, que mostra que devemos deixar de lado
nossas inibições e ter fé. Seu
ponto alto não é um beijo de amor, e
sim uma amizade.”
E Owen também ficou particularmente feliz em
entrar para a história dos filmes de animação
Disney. “Eu assisto aos filmes Disney desde
que era bebê, mas nunca achei que minha voz
sairia da boca de um dos seus personagens”,
conta ela. “Acho que vou ficar até pasma
quando me ouvir falando de verdade na tela.” |