COREY
BURTON (Capitão Gancho) tem agora a oportunidade
de fechar um círculo. Considerado um dos maiores
representantes da elite de dubladores de Hollywood,
Burton iniciou sua carreira como dublador aos 17 anos,
fazendo imitações vocais de Hans Conreid
para os estúdios Disney.
Duas décadas depois, Burton rouba a cena com
uma imitação surpreendente do falecido
Conried, no papel do Capitão Gancho, em Peter
Pan – De Volta à Terra do Nunca. “Corey
reproduz a voz de Conried tão bem que a gente
pensa que está assistindo ao primeiro filme”,
comenta Chase.
Burton estudou dramaturgia radiofônica com o
lendário Daws Butler (Time for Beany, Merrie
Melodies, Zé Colméia/Yogi Bear, Chilly
Willy) durante quatro anos e meio. Desde então,
já imitou vozes e/ou dublou personagens originais
em mais de 50 álbuns da série Disney
Storyteller. Ele também pode ser ouvido em
várias atrações dos parques temáticos
Disney e Universal, em vídeos promocionais
e institucionais, bem como em campanhas publicitárias
do rádio e da TV. Além disso, é
narrador de comerciais das redes NBC, ABC, CBS e FOX,
tendo narrado ainda documentários exibidos
pela PBS, A&E e pelo Discovery Channel. Ele é
reconhecido por uma nova geração de
futuros animadores como narrador do popular seriado
interativo Disney, Magic Artist.
Seus créditos animados incluem dublagens nos
seriados de animação da televisão,
Disney’s House of Mouse, Disney’s Mickey
MouseWorks, Disney’s Hercules, The Mighty Ducks,
Disney’s Adventures of the Gummi Bears, Chip
‘N Dale Rescue Rangers, Goof Troop, Bonkers,
The Transformers e James Bond, Jr. Seus créditos
cinematográficos incluem dublagens e regravações
em Atlantis – O Reino Perdido (Atlantis: The
Lost Empire), Vidas Sem Rumo (The Outsiders), Criaturas
(Critters), Poltergeist, Tron, E.T. – O Extra-Terrestre
(E.T.), O Vingador do Futuro (Total Recall), Amor
Sem Fim (Endless Love), As Amazonas na Lua (Amazon
Women on the Moon), Action Jackson, Tem Um Louco no
Espaço (Spaceballs), The Flamingo Kid, Aladdin,
O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame),
Hércules (Hercules) e Mulan. Burton costuma
ser convidado para prestar consultoria sobre dialetos,
sistemas de som e microfones de estúdio.
Centenas de vozes já passaram pela laringe
de Burton desde suas primeiras imitações
de Conried, mas não foi problema algum para
o ator de 46 anos revisitar o papel em Peter Pan –
De Volta à Terra do Nunca.
“Sempre tive uma afinidade especial pela voz
de Hans Conried, desde a minha adolescência”,
relembra Burton. “Eu imito a voz dele há
mais de 30 anos, e por isso sei exatamente onde colocá-la,
qual sentimento passar, como enunciar as palavras
e toda a dinâmica do papel.”
Mesmo assim, um pequeno aquecimento anterior às
sessões de gravação é
necessário para acomodar a busca de perfeição
de Burton.
“Às vezes, só depois de 3 ou 4
falas eu entro totalmente no clima do personagem”,
conta ele. “Eu ouço a trilha do filme
original e depois escuto minha própria voz,
imitando-a. Funciona como um afinador de instrumentos.
Quero ter a certeza de estar na mesma sintonia de
energia e expressão, atingindo as mesmas notas
com as quais o público já está
familiarizado.” “Para mim, a dublagem
lembra muito o trabalho de dramaturgia radiofônica.
A animação dá uma outra vida
à nossa interpretação, mas um
ator radiofônico aprende técnicas para
tornar cada fala real, porém tentando torná-la
ainda mais intrigante aos ouvidos do público
de um modo que a interpretação ultrapasse
os limites do que é ou não real.”
Burton admite que interpretar vilões lhe dá
um prazer tão cheio de culpa que beira uma
espécie de exercício terapêutico.
“Podemos fazer todas as maldades que quisermos”,
diz ele, “e também mergulhar fundo nos
aspectos mais negativos da nossa vida e personalidade.”
Os extensos estudos e o profundo conhecimento de Burton
da arte da interpretação vocal lhe valeram
um enorme respeito de seus colegas da indústria.
“Corey não só é um ator
brilhante, mas também um verdadeiro discípulo
dos clássicos Disney”, comenta Rob Paulsen,
outro dublador renomado da indústria –
e das vozes de vários piratas da tripulação
de Gancho. “Eu fico pasmo com o trabalho de
Corey e, às vezes, acho que ele tem uma ligação
mediúnica com Hans Conried. Eu sei o que isso
representa para Corey e sinto uma emoção
vicária só de contracenar com ele.”
Burton, com sua humildade habitual, apressa-se a elogiar
o trabalho de seu antecessor já falecido. “É
um enorme privilégio dar continuidade ao trabalho
de um ator de personagem tão magnífico”,
diz Burton. “Considero imortal a voz do ator
original, Hans Conried. Estou apenas substituindo-o.”
“Gancho me dá a oportunidade divertida
de torná-lo bem canastrão. Poucos são
os personagens, especialmente no mundo moderno, onde
podemos ser caricaturais. Com meu caríssimo
capitão, posso exagerar e explorar todos os
tons loucos, ridículos, melodramáticos
e teatrais que eu quiser. É um personagem com
poucos limites, o que o torna muito divertido.” |