A
criação da continuação
do clássico cinematográfico Disney de
1953 começou com a definição
do ingrediente essencial aos filmes do estúdio:
uma ótima história. O segredo era encontrar
uma extensão natural e lógica da história
original, que permitisse ao público rever os
personagens e locações do filme original,
mas que oferecesse aos espectadores uma experiência
totalmente inédita.
“Uma boa história é fundamental,
assim como é vital contar uma história
que desenvolva esses personagens e que dê ao
público a chance de conhecer mais a fundo personagens
que conquistaram tantas gerações”,
comenta Sharon Morrill, vice-presidente executiva
da Walt Disney Television Animation e executiva encarregada
da produção. “Para realizarmos
nosso objetivo, precisávamos garantir a fidelidade
ao tom e ao espírito do filme original, criando
ao mesmo tempo um universo original que os espectadores
de hoje e de amanhã possam apreciar.”
A equipe também precisou superar a intimidação
natural que acompanha a realização da
seqüência de um clássico que é
a epítome dos cânones cinematográficos
de Walt, uma produção singularmente
bela realizada pelos artistas renomados da fábrica
de talentos de Disney.
“Foi
assustador, porque quanto mais analisávamos
o original, mais percebíamos o quanto sua direção
de arte era falsamente simples”, relembra o
diretor Robin Budd. “Recriar aquela simplicidade
foi muito mais difícil do que havíamos
inicialmente previsto e exigiu um trabalho integrado
de toda a equipe.”
“É assustador realizarmos uma continuação
de um clássico da animação”,
admite Chase. “Nós nos matamos para garantir
que cada fotograma fosse genial e maravilhoso e para
conferir ao nosso filme a sensação de
um clássico adorado.”
A equipe tomou todas as precauções para
criar uma continuação à altura
de um clássico Disney, fazendo um esforço
óbvio para prestar uma homenagem ao original,
porém ao mesmo tempo dando aos personagens
– e ao público – novas aventuras
e novos contornos emocionais para reavivar o encantamento
provocado pelo primeiro filme. A protagonista Jane,
exigiu um equilíbrio todo particular entre
o desenho da “velha escola” e um apelo
moderno, realizado à altura pelo artista de
pré-produção, Charlie Bonifacio.
“Este foi um verdadeiro trabalho de amor, porque
todas as pessoas associadas ao filme têm uma
grande estima pelo material original”, conta
Mathews. “O segredo foi não tratá-lo
com uma reverência exagerada que nos impedisse
de nos divertirmos, uma vez que é daí
que vem a graça de um filme.”
“A continuação lançou mão
de um recurso muito inteligente, invertendo a premissa
do original”, observa o co-diretor Donovan Cook.
“O
primeiro filme é sobre uma menininha que tem
medo de crescer, mas que aprende que não precisa
deixar a infância para trás somente por
estar ficando mais velha. Na nossa continuação,
Jane aprende que não precisa rechaçar
sua inocência para crescer e ser responsável.
Trata-se essencialmente da mesma lição,
em sentidos opostos.”
Mesmo assim, o conceito não deixou de lhes
trazer inúmeros desafios.
“Um dos nossos maiores desafios era explicar
como uma menina vivendo em tempos tão conturbados
iria à Terra do Nunca, mas optaria por voltar
para casa”, conta Cook. “A História
nos forneceu a solução: a evacuação
das crianças britânicas, enviadas em
segurança para o campo, decretada pelo governo
inglês, e a promessa que Jane fizera ao pai
de proteger seu irmãozinho. Ela poderia mudar,
e até passar a acreditar em todo aquele mundo
mágico, mas ainda assim seu senso de responsabilidade
a faria voltar para junto de Danny.”
Uma das diferenças mais marcantes entre o original
e a continuação é a introdução
de um novo adversário para o Capitão
Gancho. Nos anos que separam a visita de Wendy e a
chegada de Jane, pouca coisa mudou na Terra do Nunca
– com uma óbvia exceção.
O crocodilo, o carma cômico na vida do Capitão
Gancho, deixou aqueles mares... mas foi substituído
por um polvo monstruosamente gigante com uma queda
especial por piratas. Aliás, por um pirata
em particular, com um gancho de aço no lugar
de uma das mãos. Assim como o crocodilo, o
polvo possui uma pequena idiossincrasia cômica
que alerta Gancho da sua presença – esta
criatura marinha gosta de estalar as ventosas de seus
tentáculos do mesmo modo que alguém
arrogante estalaria os dedos.
“A invenção do polvo nos deu um
modo novo e original de torturarmos o Capitão
Gancho com outro adversário marinho”,
explica Morrill. “Em termos da animação,
nosso polvo é um personagem hilário,
com seus tentáculos longos e incrivelmente
ágeis e seus maneirismos cômicos.”
“Por fim, a equipe precisava definir um final
para o filme. Entre várias alternativas, optamos
por um encontro emocionante entre Peter Pan e Wendy,
agora adulta, seguido da chegada do pai de Jane, voltando
da guerra. O final do filme nos leva, basicamente,
num redemoinho emocional que oferece um fechamento
e uma nova esperança para todos.”
“Acho
que o tema do filme vem expresso com perfeição
no encontro entre Peter Pan e Wendy”, observa
Morrill. “É um momento maravilhoso e
nostálgico, que passa muitas emoções
em poucas palavras. É óbvio para Peter
– e para o público – que Wendy
nunca deixou de acreditar. Precisamos manter a magia
e a imaginação vivas nos corações
dos nossos filhos, mas isso não basta –
acho que elas precisam permanecer acesas dentro de
todos nós.”
“Acho que fizemos a coisa certa”, acrescenta
Chase. “Jane vive uma tremenda aventura, descobre
muito sobre si mesma, volta para casa e daí
seu pai retorna da guerra – e o público
percebe que sua vida depois de tudo isso será
bem melhor. Trata-se de uma perspectiva otimista para
o futuro.” |