Em
sua volta às telas, Peter Pan, o garoto que
nunca irá crescer, está tão travesso,
alegre e despreocupado como sempre, ainda à
frente do bando de Garotos Perdidos em sua eterna
luta contra o Capitão Gancho. E, é claro,
ainda objeto da afeição de Sininho.
O mundo, entretanto, cresceu à sua volta –
Wendy não é mais uma criança;
agora ela é mãe de dois filhos, incluindo
a pequena e céptica Jane. Mas quem melhor do
que Peter Pan para fazê-la voltar a acreditar
na fantasia?
“Peter Pan foi, sem dúvida, um dos personagens
mais divertidos de se escrever porque todos nós
somos como Peter Pan, de um modo ou de outro”,
comenta o roteirista Temple Mathews. “É
muito fácil nos identificarmos com ele –
basta fecharmos os olhos para vê-lo. Só
é preciso entrarmos em contato com nossa criança
interior.”
“Os adultos tendem a perder a capacidade de
brincar, de se divertir e ser criativos, e as crianças
amadurecem muito mais rapidamente hoje em dia”,
afirma Blayne Weaver, o ator que dubla Peter Pan.
“Acho que Peter Pan serve para lembrar às
pessoas, não importa a idade que elas tenham,
que, às vezes, é bom brincar despreocupadamente.”
Jane
é a mais velha dos dois filhos de Wendy, uma
menina cuja inocência da infância, com
suas brincadeiras características e imaginativas,
lhe fora roubada pela realidade crua da guerra. Quando
o pai de Jane é convocado e parte para o combate,
deixa a filha incumbida de uma missão –
proteger seu irmão caçula. Trata-se
de uma tarefa levada a sério por ela, que abstém-se
de brincadeiras infantis e jogos pueris em favor da
realidade da vida adulta. E quanto mais tempo ele
permanece longe de casa, menos ela acredita nas histórias
fantásticas de sua mãe acerca de Peter
Pan. Ela simplesmente não se permite acreditar.
Mas tudo isso muda quando o Capitão Gancho
a rapta por engano e a leva até a Terra do
Nunca – onde a realidade é feita da imaginação.
Uma viagem a um lugar obviamente distante, porém,
na verdade, uma jornada interior ao coração
de Jane, onde ela descobre tudo que é possível
– com um pouco de fé, confiança...
e pó de pirlimpimpim.
“Trata-se
de uma jornada incrível de descoberta e de
resgate de sua capacidade de imaginação”,
comenta o produtor Chris Chase. “Uma jornada
que todos deveríamos ter a oportunidade de
empreender.”
Bucaneiro
desalmado… patife malvado… Capitão
Gancho é a escória do mar… com
muito orgulho. Infelizmente, Gancho continua obcecado
pelo interminável confronto com seu arquiinimigo,
Peter Pan, e vencer é algo que não parece
estar em suas cartas. Desta vez, o Capitão
Gancho raptou Jane, tomando-a por Wendy, a fim de
atrair Peter para seu fim. Todavia, o arrogante capitão
é e será sempre seu pior inimigo. Pan
frustra seus planos vis e a aventura termina com Gancho
nadando em disparada rumo ao crepúsculo, perseguido
por um polvo guloso.
“Ele é o mais vil dos vilãos cômicos
Disney – é convencido, bombástico
e delicia-se com a própria maldade –
e isso o torna um personagem muito divertido para
qualquer ator”, conta Corey Burton, que dubla
o Capitão Gancho. “Ele é tão
teatral, como um velho canastrão dos tempos
do teatro de revista e dos antigos musicais, que nem
chega a assustar realmente ninguém, porque
fica claro que seu comportamento não passa
de uma grande encenação. Tudo que ele
deseja é um pouco do reconhecimento dado ao
Barba Negra e a tantos outros piratas lendários.”
A
fadinha mais famosa do mundo, Sininho volta alegre
e resplandecente, e também ciumenta e geniosa
como sempre. De início, ela se mostra travessa
e maldosa para com Jane, mas ao final as duas irão
depender uma da outra, já que somente juntas
poderão salvar Peter Pan das garras do Capitão
Gancho.
“Sininho está excepcional neste filme”,
explica Chase. “Sua animação é
linda, o desenho da personagem está muito bem
definido e ela tem momentos divertidíssimos.”
Embora
tenha crescido e se tornado mulher desde sua última
visita à Terra do Nunca, Wendy preservou a
ingenuidade dos seus tempos de menina. E apesar já
de ter visitado aquele mundo mágico há
muito tempo, ela nunca deixou de acreditar em sua
magia. Wendy recusa-se a esquecer aquele Espírito
da Juventude e tenta passá-lo aos seus filhos,
sobretudo através das fantásticas história
infantis que conta para eles na hora de dormir. O
pequeno Danny acredita nelas, mas com Jane a história
é outra. O maior sonho de Wendy é ver
a filha acreditar algum dia na força da imaginação.
“O verdadeiro encanto da personagem é
sua capacidade de preservar uma parte tão grande
da menina que ela havia sido”, conta Kath Soucie,
que dubla a voz afetuosa de Wendy. “Ela ainda
acredita em magia, em Peter Pan e que tudo é
possível. É incrivelmente irônico
o fato de ela preservar uma imaginação
maravilhosa e saber se divertir, enquanto sua filha
é tão séria e tão prática.”
O
irmãozinho de Jane, Danny, adora as histórias
de sua mãe sobre Peter Pan, piratas e um lugar
encantado chamado Terra do Nunca. Encenando as fábulas
de sua mãe, Danny é um menino exuberante,
alegre e cheio de imaginação –
o mundo do faz-de-conta das histórias que sua
mãe lhe conta na hora de dormir lhe trazem
a distração necessária dos horrores
da guerra ao seu redor. E ele adoraria que sua irmã
mais velha decidisse brincar com eles também.
O
eternamente leal imediato do Capitão Gancho,
Smee é o oposto do estereótipo do pirata,
com seu senso de honra e fair play – ainda que
um tanto deturpados. O atrapalhado e confuso velho
lobo do mar confere decência – e comicidade
– à tripulação sangüinária
de Gancho.
Os
fiéis e bagunceiros seguidores de Peter Pan,
os Garotos Perdidos, têm nomes simplórios
que se coadunam com a personalidade de cada um –
Cubby (“filhote”), Nibs (“ponta
afiada”), Slightly (“ligeiro”),
Twins (“gêmeos”) e Toodles (“assobiador”).
Assim como Peter, eles são eternas crianças
e, para eles, o mundo é seu parque de diversões.
Devido à relutância de Jane em acreditar
no mundo mágico das fábulas infantis,
os Garotos Perdidos decidem dar novos contornos ao
velho conceito, “se não pode vencê-los,
junte-se a eles” – transformando-a na
“primeira Garota Perdida”. O processo
de conversão atinge seu clímax numa
animada seqüência musical, “So To
Be One Of Us”. |