Todo
longa-metragem precisa ter uma acompanhamento musical.
O compositor Joel McNeely foi contratado para compor
uma trilha instrumental que, em certos momentos, prestasse
uma homenagem ao filme original, porém, mais
importante ainda, que desse a Peter Pan – De
Volta à Terra do Nunca uma identidade musical
própria.
“O filme precisava de uma trilha atemporal e
emocionante, que também incluísse momentos
divertidos e hilariantes para as cenas cômicas
e de ação”, comenta Matt Walker,
vice-presidente musical sênior da Walt Disney
Television Animation. “É o tipo de trabalho
com o qual todo compositor sonha. Eu trabalhei com
Joel McNeely há tempos atrás em Iron
Will – O Grande Desafio (Iron Will), e ele me
deixou impressionado com seu domínio de diferentes
estilos de orquestração. Achei que ele
seria a escolha perfeita para este projeto.”
McNeely iniciou seu trabalho assistindo a copiões
do filme com o diretor, os produtores e os executivos
do departamento televisivo de animação,
para em seguida discutir com o grupo onde as canções
deveriam ser inseridas. Essas discussões incluíram
o estilo das canções, as emoções
que precisariam passar e as necessidades temáticas
do filme. McNeely então adotou seu sistema
próprio de composição –
que envolve uma dedicação de 12 horas
por dia, sete dias por semana. Oito semanas depois,
McNeely havia produzido uma trilha dinâmica
e emocionante para Peter Pan – De Volta à
Terra do Nunca. A trilha instrumental foi gravada
por uma orquestra de 90 músicos, no estúdio
de fama internacional, Abbey Road Studios, de Londres.
“O
que me encanta na trilha de Joel é sua fidelidade
ao título original – ele ouviu a trilha
do original atentamente, captando o clima e a intenção
dos seus criadores – porém sua trilha
é 100% original, exceto por alguns detalhes
do primeiro filme que foram intencionalmente mantidos”,
explica Budd. “Ele passou com perfeição
os sentimentos de Jane através da sua música.
Joel criou um pequeno refrão na melodia que
pôde ser aproveitado em situações
diferentes e que transmite todas as emoções
de Jane. Estou realmente impressionado.”
McNeely compôs em seguida temas para cada um
dos demais personagens, preservando e acentuando os
temas do filme original. Peter Pan continuou com seu
motivo melódico, enquanto Sininho preservou
sua fuga lépida e esvoaçante. Todavia,
McNeely criou uma grande variedade de temas que iam
do “tema principal”, evocativo dos muitos
vôos do filme, a “temas domésticos”,
para seus momentos mais serenos e meditativos.
“Joel captou 100% a essência do filme”,
comenta Morrill. “Ele acertou na mosca com o
que chamamos de “tema doméstico”
e “tema de vôo”. O tema doméstico
fala mais diretamente ao coração, enquanto
o tema de vôo é permeado pela magia da
imaginação. Ele contribui para dar grandeza
ao filme, porém ao mesmo tempo fazendo com
que os momentos mais íntimos preservassem essa
característica. Sua trilha traz as doses exatas
de magia e brilho.”
O polvo ganhou um tema complexo, que mistura comédia
e uma grande arrogância, com toques caricaturais
e ameaçadores que lhe conferem contornos cômicos.
O Capitão Gancho também ganhou um tratamento
musical assustador e ridículo, geralmente empregando
uma tuba para criar um efeito mais marcante.
McNeely prestou uma homenagem às composições
lendárias ao estilo “capa & espada”
do compositor de trilhas de cinema, Erich Wolfgang
Korngold, com seus “temas de ação.”
“A diferença estava no estilo e na complexidade
da orquestração da trilha”, explica
McNeely. “As grandes trilhas da primeira metade
do século XX eram compostas por músicos
de formação acadêmica e por isso
eram composições com uma grande riqueza
de detalhes. Eram trilhas com orquestrações
clássicas, que recorriam ao contraponto e a
outras técnicas clássicas empregadas
em composições do oeste europeu.”
McNeely
superou-se com uma abertura que acompanha a impressionante
seqüência inicial, que mostra Sininho num
vôo por entre nuvens, iluminando as silhuetas
dos ícones do filme original dentro de nuvens
brancas e fofas. McNeely compôs uma abertura
que inclui assinaturas musicais do filme original
representando cada imagem, sejam fragmentos de “Following
the Leader”, quando vemos a silhueta dos Garotos
Perdidos, seja “Never Smile at a Crocodile”,
que acompanha a imagem do réptil cômico.
Esta foi a única seqüência do filme
para a qual a trilha foi composta antes do processo
de animação.
“As cenas ainda estavam na forma de storyboard
àquela altura, mas como eles sabiam o que pretendiam
fazer, descreveram as imagens e seus elementos e me
perguntaram se eu podia ir compondo a música”,
relembra McNeely. “Quando vi a cópia
final pronta, fiquei totalmente pasmo.”
A atenção de McNeely aos detalhes tinha
de ter uma total precisão, uma vez que ele
precisaria manter seus compassos dentro da razão
de 1/100 de segundo da animação. “A
regra geral na animação é que,
entre quatro e seis centésimos de segundo,
o olho humano é capaz de detectar qualquer
discrepância, portanto trabalhamos dentro de
um nível de tolerância mínimo”,
explica McNeely. “Na animação,
a música está o tempo todo comentando
a ação nas telas e, sendo assim, trata-se
de um trabalho de composição muito minucioso.”
“Joel
realizou um trabalho sensacional, compondo uma trilha
que acentua a emoção da imagem na tela”,
elogia Walker. “A música de Joel nos
ajuda a nos reconectarmos com a criança dentro
de nós que fantasia com Peter Pan e a Terra
do Nunca, especialmente no mundo atual.”
Pai
de duas crianças pequenas, McNeely recebeu
com entusiasmo o convite para compor a trilha de um
clássico para a família. “Passei
uma boa parte dos últimos cinco anos compondo
para filmes de ação e aventura e estou
cansado de impedir a entrada dos meus filhos no meu
estúdio enquanto estou trabalhando”,
conta McNeely. “Fico muito feliz que este filme
seja destinado a eles e também por fazer algo
com um sentimento tão bonito. Era com isso
que eu sonhava.”
A formação musical de McNeely é
uma mistura bastante híbrida – ele começou
sua carreira como músico de jazz, tocando saxofone.
Após ter participado de sessões de gravação
com Elmer Bernstein, decidiu obter um diploma em composição
musical pela prestigiada Eastman School of Music.
Sua mulher, Margaret Batjer, é concertista
da Los Angeles Chamber Orchestra e uma renomada solista
internacional.
McNeely compôs trilhas para mais de 35 longas
do cinema e seriados televisivos, incluindo Soldier
e Vegas Vacation, para o seriado de Jim Cameron, Dark
Angel, e o seriado animado, Tiny Toon Adventures.
Também dirigiu mais de 30 álbuns de
trilhas clássicas do cinema, incluindo uma
coletânea completa do famoso compositor dos
filmes de Hitchcock, Bernard Herrmann, lançada
pela Varese Records. A coletânea inclui peças
da primeira trilha premiada com o Gramophone Award,
do álbum do filme Vertigo. |