A
equipe do departamento musical da Walt Disney Television
Animation desdobrou-se para encontrar uma combinação
bem eclética de talentos para compor e gravar
as canções narrativas da trilha de Peter
Pan – De Volta à Terra do Nunca.
Jonatha Brooke traz uma belíssima interpretação
do clássico de Sammy Cahn-Sammy Fain, “Second
Star to the Right”, na seqüência
de abertura do filme, e depois dá forma ao
estado de espírito de Jane com sua canção
original, “I’ll Try”. Os cineastas
reuniram-se com Brooke para discutir a cena e suas
necessidades musicais, e Brooke voltou no dia seguinte
com sua letra e música. A canção
se coadunava com perfeição à
cena.
“Jonatha é uma cantora fantástica
e ela realmente deu uma bela alma à voz interior
de Jane”, afirma Budd. “Ela deixa bem
claro o quanto Jane gostaria de acreditar, embora
não seja capaz disso. Ela mostra bem o conflito
interno de Jane – vemos como ela sente que precisa
ser adulta e lógica, mas está começando
a achar que seria ótimo poder voar e brincar
feito uma criança. A canção realmente
tornou o filme muito melhor.”
Brook
cresceu assistindo aos adorados filmes de animação
dos estúdios Disney e por isso orgulha-se de
suas contribuições para a produção.
“Nosso filme é absolutamente encantador
e tem sido inacreditável vê-lo ganhar
forma e personalidade ao longo desses últimos
anos”, comenta Brooke.
Brooke iniciou sua carreira nos anos 80, como integrante
da dupla de música folk, The Story. Desde a
separação da dupla, Brooke passou a
administrar sua própria carreira. Em 1997,
fundou seu próprio selo independente, Bad Dog
Records, pelo qual lançou dois álbuns,
incluindo seu mais recente, Steady Pull.
Além de gerenciar sua carreira, compor suas
próprias canções e apresentar-se
em shows por todo o país, Brooke também
ainda disponibiliza um diário de suas turnês
no seu website, www.jonathabrooke.com, onde mantém
contato regular com sua legião de fãs
dedicados.
A banda They Might Be Giants compôs a letra
e música da canção “So
To Be One Of Us/ Now That You're One Of Us,”
o “hino” que acompanha uma das cenas mais
divertidas do filme. A canção é
interpretada por Blayne Weaver (Peter), Harriet Owen
(Jane) e pelos Garotos Perdidos.
“A idéia era ilustrar todas as coisas
que os Garotos Perdidos curtem e mostrar Jane esbaforida,
tentando acompanhá-los e tentando equiparar-se
ao grupo”, conta John Flansburgh, do They Might
Be Giants. “A partir dos materiais que nos forneceram,
tentamos mostrar coisas com uma energia típica
dos meninos, como o modo como formam um grupo unido
e vivem zoando por aí. Essa foi a energia desse
número.”
Flansburgh,
que cresceu numa área rural de Massachusetts,
próxima a Boston, disse que buscou inspiração
para a canção em sua própria
infância, quando vagabundeava pelas matas com
seus amigos.
“Passei a maior parte da minha infância
me balançando em balanços feitos de
cordas, caçando sapos em lagoas, e coisas desse
tipo”, conta Flansburgh. “Em situações
assim, a gente cria uma amizade parecida com a dos
‘Garotos Perdidos’, onde seremos leais
aos amigos para o resto da vida. Uma ligação
genuína.”
Desde a formação do grupo há
quase duas décadas, Flansburgh e John Linnell
contam com uma legião de fãs leais ao
They Might Be Giants e
ao seu estilo único de música. A banda,
que evoluiu bastante desde a estréia da dupla
com um acordeão e uma bateria eletrônica,
já vendeu mais de 3 milhões de discos
em todo o planeta. A dupla já se apresentou
em mais de 1.100 shows ao redor do mundo e desfruta
de enorme popularidade na Internet – o que tornou-a
perfeita para se tornar o primeiro grupo de peso da
indústria fonográfica a lançar
um álbum exclusivamente de MP3. Segundo o site
Emusic.com, They Might Be Giants estava entre as 10
bandas com o maior número de downloads em 2000.
Além de seus inúmeros e prestigiados
álbuns e videoclipes populares, a TMBG compôs
e gravou uma canção – em apenas
duas horas – para a série “This
American Life”, da National Public Radio, e
demonstrou seu talento musical e teatral em cinco
episódios da série de ciência
e tecnologia da Nightline, Brave New World. A TMBG
adquiriu uma enorme visibilidade junto ao grande público
graças à popular canção-tema
do seriado humorístico da Fox-TV, Malcolm in
the Middle.
Recentemente,
a They Might Be Giants lançou Mink Car, o oitavo
álbum de sua carreira, e também concluiu
a gravação de um disco infantil interativo
a ser lançado em 2002.
De acordo com o tema do filme original, foi decidido
que a canção ideal para os créditos
finais seria o sucesso do Lovin’ Spoonful, de
1965, “Do You Believe in Magic”. O grupo
BBMak, da Hollywood Records, foi contratado para gravar
a canção, e Walker viajou à Woodstock
para obter a permissão de uso de seu compositor,
John Sebastian. Os estúdios Disney nem imaginavam
o quanto a canção era ideal para um
título de Peter Pan.
Aos 5 anos, Sebastian foi levado para assistir à
montagem da Broadway de Peter Pan (estrelada por Jean
Arthur, no papel de “Pan”, e Boris Karloff,
como “Gancho”) por sua “tia postiça”,
Vivian Vance, estrela de I Love Lucy. Ao final do
espetáculo, quando foram aos camarins cumprimentar
o elenco, Sebastian ganhou uma foto autografada de
Karloff, que ele guarda até hoje. Toda a experiência,
entretanto, deixou uma lembrança indelével
para o lendário roqueiro.
“Sempre sonhei em ser capaz de voar, desde a
época em que assisti à montagem original
de Peter Pan até muito depois da minha adolescência”,
conta Sebastian. “E ainda sonho.”
Uma afirmação tão verdadeira
a ponto de Sebastian afirmar que Peter Pan foi sua
inspiração original para compor “Do
You Believe in Magic”. Além de ser uma
canção sobre a magia da música,
seu tema essencial é baseado no conceito de
se acreditar em alguma coisa e torná-la realidade
– o que teve origem no seu amor por Peter Pan.
“Para mim, embora a canção seja
sobre música, seu tema tem ligações
estritas com Peter Pan”, afirma Sebastian. “A
metáfora de se acreditar em algo e torná-lo
realidade é, sem dúvida alguma, uma
criação muito mais de (J.M.) Barrie
do que minha.”
Sebastian rescreveu parte da letra da música
– literalmente no ato – para torná-la
mais adequada ao filme. “Foi bastante fácil
rescrever a canção, relacionando-a ao
vôo, ao invés de à música”,
conta Sebastian. “Isso foi necessário
para realinhá-la à sua inspiração
original. Seu tema era originalmente sobre a crença
na fé necessária, no contexto da história,
para se poder voar.”
Posteriormente,
quando a canção foi gravada, Sebastian
participou da gravação via telefone,
tocando sua autoharp (uma espécie de cítara,
muito popular nos EUA) na faixa. Ele informou aos
produtores que eles precisariam de uma autoharp para
dar vida à canção.
“Eu disse aos produtores: esses garotos cantam
muito bem, mas quando vocês compararem a canção
pronta à original, vai estar faltando alguma
coisa. Vou lhes poupar bastante tempo, dizendo logo
o que é: a autoharp. Na canção
original, há um piano justaposto sobre ela,
que acabou ficando um pouco abafada na gravação,
mas, originalmente, ela era bem audível. Era
a combinação desta autoharp elétrica
com o piano o que tornava a faixa única e marcante.
E eles concordaram.”
O
timing também foi perfeito, já que a
canção foi gravada em tom de Ré
Maior e Sebastian havia acabado de receber uma autoharp
nova perfeita para ser tocada nesse tom.
“Eu tinha um instrumento praticamente novo,
que havia sido fabricado para ser tocado primordialmente
em Ré Maior, um dos tons mais difíceis
de serem obtidos numa autoharp padrão”,
explica Sebastian. “Alguns instrumentos executam
melhor certos tons, simplesmente por conta de suas
limitações físicas, mas a autoharp
não é feita para ser tocada em Ré
Maior. Um fabricante de autoharps muito talentoso
fabricou um instrumento exclusivamente para mim, configurado
em Ré Maior. Se o convite dos produtores tivesse
sido feito um ano antes, eu não teria esse
instrumento. Foi um timing maravilhoso.”
Uma
sensação na Grã-Bretanha, a BBMak
é formada por Christian Anthony Burns, Stephen
McNally e Mark Barry. A banda de grande popularidade
é única por suas harmonizações
afinadíssimas, suas canções pop
com belos solos de guitarra e por suas produções
bem acabadas. O grupo apresentou-se em vários
clubes noturnos do noroeste da Inglaterra antes de
decidir correr atrás de um contrato de gravação.
O resultado foi um contrato com a Hollywood Records
e o lançamento de seu álbum de sucesso,
Sooner Or Later, em 2000. Seu single, Back Here, estourou
nas paradas pop britânicas e ficou em primeiro
lugar nas paradas do Japão. Atualmente, a banda
está em estúdio gravando seu próximo
álbum.
“Esta foi uma ótima oportunidade de estabelecermos
uma sinergia com nossos parceiros da gravadora, porque
queríamos um grupo jovem e popular para criar
uma versão nova e moderna de um clássico
do rock”, conta Walker. “BBMak realmente
marcou um gol de placa.” |