Em
seu segundo filme animado, ROBÔS, o estúdio
de animação Blue Sky em parceria com
a 20th Century Fox, vem mostrar que veio para ficar
entre os grandes nomes da animação no
mundo. Após a dobradinha em A ERA DO GELO,
em 2002, o diretor Chris Wedge e o co-diretor, Carlos
Saldanha, que é brasileiro, voltam para este
novo empreendimento e revelam toda a criatividade
que se pode empregar em um filme animado, repetindo
as boas doses de comédia e aventura de seu
primeiro filme.
Em
uma pequena cidade, em um mundo habitado única
e exclusivamente por robôs de todos os tipos
e tamanhos, vive Rodney Lataria, um robô de
classe média que sonha em ir para a região
metropolitana de Robópolis, tornar-se um
inventor e fazer sua vida por lá. Espelhado
em seu grande ídolo, o Grande Soldador, um
famoso empresário do ramo de reposição
de peças, Rodney decide deixar sua cidadezinha
e ir em busca de seu sonho. Ao chegar na grande
cidade, Rodney se depara com uma enorme crise provocada
pela ganância do perverso Dom Aço e
vê seu sonho de trabalhar nas empresas Grande
Soldador desabarem sobre sua cabeça.
Com
uma premissa bem atual, o filme trata das diferenças
sociais que insistem assolar a humanidade. Com todo
o destaque que o assunto merece, é mostrado
como a classe pobre de uma sociedade sofre com os
interesses da elite predominante na mesma. A luta
de Rodney contra a supremacia de Dom Aço,
mostra o quão importante é nos preocuparmos
com o descaso sofrido pelas classes menos favorecidas
de forma simples e objetiva. Algo legal de ser levantado
em um filme destinado ao público jovem e
infantil, uma iniciativa plausível que já
vale uma conferida!
Outra
questão abordada com afinco no filme, é
o avanço desenfreado da tecnologia, que pode
trazer sérios problemas tanto ao planeta,
quanto às classes pobres. Com todas as inovações
que a ciência tecnológica apresenta
todos os dias, fica difícil para que todos
acompanhem sem serem esquecidos ou deixados de lado.
Uma questão importante que nos faz refletir
até onde a tecnologia que assola o mundo
de hoje vale a pena e deve chegar.
Apesar
de tratar de assuntos sérios, a comédia
não é deixada de lado! Se você
achou A ERA DO GELO um filme engraçado, prepare-se
para dar longas e constantes gargalhadas com ROBÔS.
Rodney, o personagem principal não é
o grande comediante aqui, assim como na maioria
dos filmes animados, as melhores piadas ficam para
os personagens secundários como o excêntrico
Manivela e seus amigos do beco. Outro personagem
que brilha na área da comédia, é
a espalhafatosa Tia Turbina, que possui um grande...
eh... traseiro causador de risadas. Assim como o
popô de Tia Turbina, muitas outras gags físicas
estão espalhadas pelo filme, apesar disso,
elas não são cansativas. Todas parecem
ter sido muito bem pensadas antes de serem aplicadas
nos personagens, bem como as piadas originais e
inteligentes aqui presentes. Em sua maioria, as
tiradas caem melhor ao público adulto. Em
uma das cenas iniciais, a mãe de Rodney diz
que o gostoso mesmo é fazer o bebê
(no caso Rodney, que estava para “nascer”),
em outra, na porta dos banheiros, percebe-se uma
tomada representando o sexo masculino e plug representando
o feminino. São todas piadas muito bem boladas,
prontas para arrancar risadas de quem assiste.
Mas
um bom filme não é nada sem um bom
visual e ROBÔS passa batido pela prova de
cenários. Caracterizados por um ar retro-futurista
muito bem elaborado, os fundos do filme são
amplos e grandiosos e refletem todo o avanço
tecnológico em questão. Quem achou
que A ERA DO GELO foi fraquinho em visuais, vai
se surpreender com o que foi feito aqui. A maior
parte desses cenários são muito bem
iluminados, principalmente os da cidade, que justificam
o porquê do encantamento de Rodney por Robópolis.
Um trabalho maravilhoso foi feito nesse aspecto
e os ambientes são com certeza um dos pontos
altos do filme.
O
estúdio também avançou grandiosamente
em suas técnicas de animação
e textura dos cenários, adereços e
personagens. Os movimentos presenciados no filme
estão muito mais leves e realistas do que
os presentes no primeiro filme da Blue Sky. Os efeitos
são grandiosos e mostram o que o estúdio
é capaz de fazer. Algumas vezes, mostram
até demais! Cenas como o meio de transporte
maluco de Robópolis e a dos dominós
no esconderijo de Grande Soldador, parecem ter sido
colocadas no filme só para provar que os
animadores são capazes. Ainda que pareça
um pouco arrogante da parte do estúdio, temos
que dar o braço a torcer que são efeitos
impressionantes. Mas bem que poderiam ter aproveitado
melhor todo esse potencial.
A
trilha incidental de ROBÔS é característica
de filmes de aventura modernos. Retratam o heroísmo
presente no filme com um toque de música
pop, o que ficou bacana. Falando em música
pop, o filme traz para sua trilha o hip hop americano,
que se tornou febre não só entre os
adolescentes, mas também entre os filmes
animados. O filme ainda traz boas pitadas de música
“soul” americana, como a simpática
“Shine”. Além disso, o filme
faz referências a grandes musicais do cinema
e a ícones da música pop. Em uma cena,
Manivela parodia a famosa cena de DANÇANDO
NA CHUVA além de dar um show de dança
ao som de Britney Spears e seu hit ‘Baby One
More Time’.
ROBÔS
não traz a história mais original
de todas, mas levanta questões que devem
ser discutidas, o que sempre acrescenta veracidade
e relevância a um filme. O filme faz você
rir do inicio ao fim com piadas inteligentes e de
bom gosto além de trazer boas cenas de aventura,
romance e até luta. Um mix que cai muito
bem a ambiciosa animação do estúdio
que já vai para o seu terceiro filme, uma
continuação para A ERA DO GELO. Uma
engrenagem em forma de filme que trabalha a diversão
sem perder a essência. Além de tudo,
é fruto do trabalho de um brasileiro que
deu certo no mundo da animação internacional.
Eu não deixaria de conferir!