Em
1995, quando animados como O REI LEÃO, arrebentavam
as bilheterias de todo o mundo, uma tímida
empresa, em parceria com a imponente Disney, responsável
por tais sucessos animados, revolucionaria a forma
de se fazer desenhos. O Pixar Animation Studios, já
vinha testando sua técnica de animação
por computador há algum tempo, inclusive em
alguns animados da própria Disney, basta olharmos
cenas como a do salão em A BELA E A FERA ou
a caverna de ALADDIN. Até então, somente
curtas metragens e efeitos haviam sido realizados
pelo estúdio. A inspiração para
empregar tal técnica de animação
em um longa metragem, apareceu por causa de um desses
curtas, TIN TOY, de 1988, que mostra a saga de um
brinquedo ao fugir de um bebê que destrói
tudo o que encontra. Criado e dirigido por John Lesseter,
TIN TOY foi o ponto de partida para este projeto maior,
que seria batizado de TOY STORY. John, que ainda hoje
é um dos grandes nomes do estúdio, transferiu
o pequenino mundo de TIN TOY para o gigantesco TOY
STORY com uma premissa bem intrigante: o que os brinquedos
fazem quando nós, humanos, não estamos
olhando?
Nesta
aventura radiante, Woody, um boneco cowboy, é
o brinquedo preferido do menino Andy. Woody leva
uma vida de líder e reina soberano no coração
do menino, até o dia em que Andy ganha um
boneco futurista de aniversário, cheio de
parafernálias de última geração,
o espaçonauta Buzz Lightyear. Woody percebe
que Andy vai se distanciando cada vez mais dele,
e resolve se livrar temporariamente de Buzz, mas
seu plano acaba dando errado, vê todos os
seus amigos brinquedos se voltarem contra ele. Então,
Woody decide salvar Buzz e recuperar a confiança
de todos, embarcando em uma aventura fascinante.
Com
essa trama envolvente, e a premissa já citada,
TOY STORY, mostrou todo o potencial do estúdio
que surgia. Em todos os seus projetos posteriores,
o estúdio primou pela qualidade e evolução
de sua animação, mas acima de tudo,
pela criatividade.
TOY
STORY é uma vitrine dessa característica
“pixariana”. Seus personagens são
perfeitos fisicamente, e seus fundos psicológicos
são tratados com detalhamento e exatidão.
Woody, um líder nato, não aceita perder
seu posto para Buzz, que pensa ser um espaçonauta
de verdade, e vai até ao fim para conseguir
o que é seu de volta Ele é ambicioso,
e isso o leva a cometer erros que acabam com ele
posteriormente, enfim, é tudo muito interligado,
dando ao filme o sabor que atraiu tanto crianças,
quanto adultos.
Fisicamente,
os personagens são os mais atraentes de todos
os filmes da Pixar, isso porque cada um tem um estilo
diferente, não são somente humanos,
ou peixes, ou insetos, são brinquedos; e
o que pode ser mais diversificado que um quarto
cheio deles?
Agora,
imagine uma dupla de atores que dispensam comentários,
para dar vozes aos personagens principais. Woody
e Buzz, na versão original, são dublados
por Tom Hanks (O RESGATE DO SOLDADO RYAN) e Tim
Allen (HOME IMPROVEMENT), dois monstros de Hollywood,
que dão toda a vida de Woody e Buzz e proporcionam
ao expectador tanto cenas emocionantes quanto cenas
hilárias.
Com
todo o conteúdo que TOY STORY traz, seu sucesso
não é conseqüência da sua
forma de animação, claro que ajudou
muito, por ser uma inovação na época,
mas se tivesse sido feito com o lápis e o
papel, seria tão bom quanto. Ainda assim,
tenho que bater palmas para o trabalho da Pixar
em seu primeiro longa. Mesmo sendo especializada
em animação por computador, as ferramentas
da época não davam ao estúdio
todo o poder de criação que possuem
hoje, e, ainda assim, conseguiram implantar texturas,
movimentos e efeitos de dar inveja a muitos outros
filmes (de outros estúdios) que vieram posteriormente.
Se compararmos as técnicas de TIN TOY e TOY
STORY vemos o grande salto do estúdio. A
complexidade de se fazer um longa computadorizado,
exigiu dos animadores uma paciência infinita.
Para fazer cada frame com perfeição,
foram necessários anos de aprimoramento e
estudo. Ao unir o útil ao agradável,
conceitos magníficos à sua animação
inovadora, o estúdio conseguiu a fórmula
de seu sucesso.
O
filme herdou alguns conceitos de sua madrinha Disney.
Se olharmos para os personagens, percebemos que
seus olhos são semelhantes aos olhos dos
personagens da mesma, mas TOY STORY continuou uma
tradição do estúdio, as músicas
dedicadas a seus personagens. O filme as utiliza
como artifício de transição
ou até mesmo para explicitar os sentimentos
dos personagens. A música cantada quando
Woody vê as coisas mudarem no quarto do Andy,
“Coisas Estranhas” ou até mesmo
a clássica “Amigo Estou Aqui”
dão ao filme um jeito consagrado por Walt
Disney.
Neste
ano de 2005, o primeiro longa metragem totalmente
feito por computador, TOY STORY, completa 10 anos,
imprimindo a marca de clássico dos estúdios
Pixar, que tem uma breve história no mundo
da animação, mas que já produziu
7 obras primas da sétima arte (a última,
CARROS, estréia em 2006). O filme que fez
revolução, não deve ser reconhecido
somente por isso, mas também por sua explosão
de criatividade e principalmente por sua aventura
inesquecível e personagens idem. Assim como
BRANCA DE NEVE em seu tempo, TOY STORY tornou-se
um ícone da nova geração de
filmes animados. Um clássico eterno!