Extremamente entediado com sua vida, Beto quer voltar aos velhos tempos de super-herói, e tem essa chance quando a misteriosa Miragem lhe contrata para resolver uma missão em uma ilha deserta: destruir o Omnidróide, um descontrolado protótipo de robô que destrói tudo que cruza seu caminho. Tudo era, na verdade, um plano cuidadosamente arquitetado por Síndrome, um antigo fã do Sr. Incrível que, cansado de ter sido rejeitado diversas vezes pelo ídolo no passado, resolve se tornar um super-herói da sua própria maneira. Mantido sob cativeiro, a única esperança de Betoé sua família que, percebendo que há problemas, vai ao seu resgate.
Toda a aventura de OS INCRÍVEIS é, na verdade, apenas o pano de fundo para a história sobre os conflitos de uma família que luta para adequar-se aos padrões de vida convencionais perante a sociedade, mas que ainda assim tem problemas em resolver seus próprios conflitos internos. E é nesse quesito que este filme se diferencia não apenas dos outros animados da Pixar, mas também de qualquer outro produzido nos últimos anos: a comédia é deixada de lado para dar lugar a explorações psicológicas de seus personagens. Vemos Beto e sua ânsia de se libertar de sua rotina de homem comum, Helena tentando ser uma boa mãe de família e salvar seu casamento ao mesmo tempo, e Flecha e Violeta querendo encontrar um lugar entre os outros de suas respectivas idades. Com seus assuntos relativamente complexos e sua alta exposição dos personagens, OS INCRÍVEIS deixa claro desde o início que este não é o seu típico filme familiar. Os 115 minutos de duração e o elevado nível de violência já mostram que ele não foi produzido com as crianças em mente. Isso não quer dizer que o filme não possa ser apreciado por todas as idades, mas sim que ganha uma visão totalmente diferente quando visto pelos olhos de um adulto.
OS INCRÍVEIS não é um projeto ousado apenas pela sua história, mas também pelo ponto de vista técnico, sendo o primeiro filme da Pixar a ter um elenco totalmente humano. Fãs de animação devem ter observado a falta de sucesso em vários outros filmes animados digitalmente em criar figuras humanas convincentes. Além de geralmente se assemelharem a manequins de plástico, eles não possuem o mesmo appeal e credibilidade de um personagem humano animado tradicionalmente. Felizmente OS INCRÍVEIS nos faz momentaneamente esquecer desses experimentos falhos do passado. A começar pela acertada decisão de desenhar os personagens de forma caricata e não extremamente realista, o espectador nunca é levado a duvidar que a família Incrível não seja real dentro do universo do filme: a riqueza das expressões facial é impressionante e os movimentos são críveis e fluídos, não sendo nem robóticos ou exagerados e ainda completos com pleno uso do squash and strech. Ou seja, a ilusão da vida está completa. A partir de agora, este é o padrão de excelência que devemos esperar para os subseqüentes filmes de animação.
O que começou apenas como um pequeno estúdio de animação independente é agora o maior nome do ramo, grande o bastante para ditar as regras de sua parceria com a toda poderosa Disney (parceria que tem indícios de continuar nos anos a seguir com a saída de Michael Eisner da casa do Mickey). Para os negativistas que previam OS INCRÍVEIS como a primeira escorregada da Pixar, não foi desta vez: o filme entrou como grande favorito na disputa pelo OSCAR da animação em 2004, conquistando esta categoria, e ainda surpreendeu ao ganhar a estatueta por melhor edição de som, consolidando o impecável padrão de qualidade da Pixar e mostrando que a união de artistas talentosos com uma administração acertada produz grandes resultados.