DISNEY VAI MAL NA EUROPA COM DÍVIDAS ASSOMBROSAS
Quando a Walt Disney Co. decidiu construir uma Disneylândia na Europa, isso foi uma tacada de mestre de várias formas - talvez inteligente demais. Ela administrou para construir seu primeiro, e depois o segundo, parque temático em grande parte com o dinheiro de outras pessoas, enquanto não mostrava nenhum de seus empréstimos em seu próprio balanço. Se tudo tivesse indo bem, ela teria mostrado muito mais lucro do que despesas.
Mas pouca coisa foi bem nos 12 anos desde seu primeiro parque temático aberto, e nos dois desde que a Disney abriu o segundo. Pela segunda vez, a Disney está engajada em negociações para reestruturar as dívidas da Euro Disney.
Essas conversas também não parecem estar indo bem, apesar dessa semana elas terem se estendido por dois meses depois que a Euro Disney prometeu encontrar 40 milhões de euros (US$ 48,5 milhões) para os bancos no próximo mês.
Para piorar, reformas de prestação de contas pós-Enron significam que a Disney não será mais capaz de manter suas más notícias fora de suas declarações financeiras e salvas nas notas de rodapé. A começar nesse ano, a dívida da Euro Disney terá de ser posta no balanço e suas perdas aparecerão nos resultados operacionais da Disney também.
Na reunião anual dos acionistas na quinta-feira, Jeffrey Speed, o chefe-financeiro da Euro Disney, disse que o resultado das negociações de reestruturação “não devem ser um reparo rápido, mas uma solução duradoura”. Se isso acontecer, será um resultado bem diferente da reestruturação de 1994, que essencialmente se afastou dos problemas por 10 anos na esperança de que o crescimento os resolvesse.
Os administradores culpam a má sorte envolvendo as economias européias, ondas de aquecimento e medo de terrorismo. A Euro Disney clama ser “o destino de turismo número 1 na Europa”, mas não foi capaz de fazer dinheiro.
O que a Euro Disney precisa é saudar grande parte de suas dívidas, liberando o futuro fluxo de caixa para financiar os aprimoramentos que parques de diversão precisam inevitavelmente. Os bancos, sem dúvida, querem que a Disney aplique mais dinheiro agora e tire menos depois. A Disney amaria receber ajuda do governo.
A dívida tem pouca atenção dos administradores, que depositam suas esperanças no crescimento dos lucros neste ano depois da queda em 2003. Mas um investidor antigo foi aplaudido quando disse que o segundo parque foi um erro. “Nós precisamos de novas atrações, algo realmente inovador”, afirmou André Lacroix, o chefe-executivo. “Você tem algum plano?”. “Se sim, como você o financiará?” A resposta mencionava um novo espetáculo “Rei Leão”.
Sob as normas americanas, a Euro Disney terminou seu ano fiscal em setembro passado com US$ 2,5 bilhões em dívidas e somente US$ 69 milhões de equidade dos acionistas. Mas a Euro Disney não mencionou esses números em seus relatórios fornecidos aos acionistas. Ao invés, citou as regras francesas, que são lenientes quando se trata de retratar as contas e fazer a empresa parecer um modelo de saúde, com dívidas de 864 milhões de euros (US$ 1 bilhão) e equidade de acionistas de 1,1 bilhões de euros (US$ 1,2 bilhões). No ano que vem, a Euro Disney terá de se converter a normas de contas internacionais mais rígidas.
Algumas das prestações de contas mais ultrajantes de Enron envolviam o abuso das tão faladas entidades para fins especiais, onde ela escondia suas dívidas. As revelações de rodapé não foram enganadoras, mas sob as novas regras americanas, é preciso por as dívidas da Euro Disney em seu balanço nesse ano.
Michael D. Eisner, o chefe executivo da Disney, não precisa de mais más notícias. Mas a Disney terá de engolir anotações substanciais para conseguir um acordo com os bancos que reduziriam a dívida da Euro Disney a um nível administrável.
Os novos anúncios da empresa, disse Lacroix aos acionistas, seduzem os visitantes com a pergunta: “Precisa de Magia?” Para a Euro Disney, a resposta é óbvia.
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